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Outras etnias se manifestam contra violência

Diário de Cuiabá - www.diariodecuiaba.com.br
15 de out de 2008

Índios das etnias nambiquara, parecis, myky e rikbatsa anunciaram ontem que devem expressar, por meio de um documento, nos próximos dias, o repúdio às ações realizadas pelos enawenê nawê no último sábado, quando cerca de 100 índios desta tribo saquearam e incendiaram as obras da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Telegráfica, no rio Juruena. O documento das quatro tribos deve ser protocolado na Fundação Nacional do Índio (Funai) em Brasília e em seus escritórios no Estado.

Luis Terena, líder dos nambiquara da região de Sapezal (480 quilômetros de Cuiabá), diz que as tribos contrárias às ações dos enawenê nawê colherão assinaturas entre seus respectivos povos para protocolar o documento de repúdio na Funai. Terena diz que busca mostrar que nem todos compactuam com as ações violentas do último sábado.

Por não concordarem com a construção de oito PCHs ao longo do rio Juruena, os enawenê nawê reagiram com violência. No dia 7, eles se reuniram, junto com as demais quatro etnias, para discutir os impactos das obras e uma compensação a ser paga com os empreendedores, a Funai e o Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema). As quatro etnias acordaram que deveria ser paga uma compensação inicial de R$ 6 milhões por impactos sócio-ambientais provocados pelas obras. Por sua vez, os enawenê nawê alegaram que os empreendedores (a empresa Juruena Participações S/A) planejavam construir mais PCHs na região e recusaram o acordo. O resultado foi a destruição no canteiro de obras da maior PCH do complexo em construção, a Telegráfica, com potência de 30 megawatts.

Apesar dos enawenê nawê apontarem que as PCHs prejudicarão o rio Juruena, sua fonte de alimentos, Terena diz que esta questão deveria ter sido abordada anteriormente e que a própria Funai liberou as obras. Parecer produzido por um biólogo da Fundação sobre os estudos que aprovaram as PCHs indica que existem "dúvidas sobre a viabilidade ambiental" dos empreendimentos. A Sema desconsidera o parecer e lembra que tem aval do ministro Gilmar Mendes, do STF, para licenciar as obras. (RD)

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