Gazeta de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: Waldemir Félix
19 de Abr de 2005
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta terça-feira um grupo de índios que irá entregar documento solicitando a melhoria no atendimento às comunidades indígenas nas áreas de educação e saúde e maior proteção às reservas contra invasões de madeireiros e garimpeiros. O maior objetivo, porém, é a demarcação das terras indígenas. Hoje é clara a falta de recursos para esse trabalho e muitos índios vêm morrendo à míngua, especialmente crianças vítimas de desnutrição e da própria fome.
No Dia do Índio, como sempre aconteceu em Brasília, esta terça-feira será de demagogia, de muitas promessas. Poucas delas, é claro, serão cumpridas. Mas, para agradar - ou para enganar -, não faltam planos, metas e promessas.
A Fundação Nacional do Índio (Funai) diz que a meta do governo é homologar 25 terras indígenas esse ano. De acordo com o presidente Mércio Pereira Gomes, essa meta será facilmente atingida. Na prática, isso não acontece. Muito pelo contrário, a interminável disputa com os latifundiários persiste e os índios sofrem as consequências da invasão. Muitos acabam sucumbindo.
Na verdade, a política indigenista brasileira é pautada em cinco pontos: demarcação de terras, saúde, educação, desenvolvimento étnico e participação dos povos indígenas nas políticas públicas. A Funai tem R$ 107 milhões para atingir esses objetivos e o próprio presidente da instituição afirma que os recursos não são suficientes. Mantendo a tradição política, promete tentar obter mais recursos para alcançar as metas do governo.
Em Mato Grosso as nações indígenas têm uma triste história, marcada por violência, invasões e fim de gerações. Tudo motivado pelo progresso, pelos garimpos e avanço das fronteiras agrícolas, principalmente. Com a abertura da Cuiabá-Santarém (BR-163), começou todo um processo de dizimação, que prossegue até hoje. Índios foram obrigados a abandonar suas terras, levados a outras regiões que não conheciam. Chegou o progresso e com ele as doenças, a discriminação, os estupros.
Enfim, os índios mais uma vez estão em Brasília, reivindicando demarcação de suas terras e mais atenção. Caciques como Raoni e Aritana, líderes do Alto Xingu, incansáveis defensores de seus povos, estarão hoje com o presidente Lula. Mais uma vez receberão promessas que dificilmente serão cumpridas. E a luta vai continuar.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.