O Globo, Sociedade, p. 24
Autor: DASGUPTA, Dipak
14 de Jun de 2017
'Os EUA podem ser uma potência, mas agora estão sujeitos a prejuízos'
Fundador do Fundo Verde para o Clima, indiano critica falta de verbas para que países em desenvolvimento lutem contra o aquecimento global
Dipak Dasgupta
Os países desenvolvidos se comprometeram a doar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para o Fundo Verde para o Clima, cujo alvo é o combate às mudanças climáticas nas nações em desenvolvimento. Quanto foi obtido até agora?
Por enquanto, apenas US$ 10,5 bilhões. É inaceitável que tenhamos recebido tão pouco. As nações desenvolvidas alegam que estão passando por crises econômicas que as obrigam a cortar financiamentos.
Quais regiões do planeta recebem mais recursos?
Depende da finalidade. Metade da verba vai para projetos de adaptação às mudanças climáticas. Neste caso, priorizamos os Estados insulares e os países mais pobres da África. A outra porção do financiamento é destinada a políticas de mitigação. O maior alvo, então, são as nações emergentes, como Brasil, China e Índia, que conseguirão desenvolver iniciativas de maior alcance, como a difusão da energia solar.
No Brasil, a maior fonte de emissão de poluentes é o desmatamento, cujo índice está subindo nos últimos anos. O que o governo está fazendo errado?
O Brasil ainda é um considerado um exemplo mundial, por impedir a devastação das florestas e pelo uso de hidrelétricas. Mas todos os países, especialmente as grandes economias, enfrentam altos e baixos. O importante é que a população continua engajada. Aliás, a opinião pública das nações em desenvolvimento é muito mais receptiva aos projetos climáticos do que os cidadãos de países desenvolvidos.
O presidente Donald Trump deixará o Fundo Verde. Qual é o impacto desta decisão para o setor?
Acredito que o efeito pode ser igual à saída de um jogador de um time de futebol. São 11 em campo. Se um deixar o gramado, os outros vão se esforçar ao máximo para que a equipe não seja afetada. Então, talvez os outros países desenvolvidos aceitem aumentar suas doações. De qualquer forma, é lamentável ver a maior potência do mundo, que deveria liderar a luta contra o aquecimento global, abandonar este papel. Os EUA são uma potência, mas agora estão sujeitos a prejuízos, inclusive no setor tecnológico, porque as grandes corporações pensam em termos globais e buscam setores produtivos mais eficientes. Será difícil investir em um país que, em vez disso, atua na contramão. Espero que Trump mude de ideia.
O Globo, 14/06/2017, Sociedade, p. 24
https://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/dipak-dasgupta-os-e…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.