A Crítica (AM) - http://acritica.uol.com.br/
Autor: Virgílio Viana
28 de Nov de 2011
A mobilização socioambiental tem sido um importante componente na luta contra a degradação ambiental, injustiças sociais, inoperância governamental e criminalidade na Amazônia. Isso inclui organizações de representação social de populações extrativistas, indígenas, camponesas e peri-urbanas de um lado e, de outro, organizações ambientalistas voltadas para projetos, estudos e pesquisas. Essas instituições têm tido um papel essencial na luta por um processo civilizatório capaz de conciliar respeito aos direitos humanos, melhoria da qualidade de vida, crescimento econômico e conservação ambiental.
Existem processos virtuosos, que mostram o amadurecimento das instituições socioambientais. Isso inclui uma maior profissionalização e busca por resultados consistentes nos projetos desenvolvidos por organizações ambientalistas. Não basta apenas executar o previsto; é essencial que o legado dos projetos seja duradouro, após a conclusão dos investimentos. Inclui também um amadurecimento na governança e transparência na gestão de movimentos sociais. Não basta apenas ter eleições internas, é essencial que as instituições se consolidem, respeitando seus estatutos e instâncias de participação dos associados.
Existem, por outro lado, processos não virtuosos, que apontam para persistentes desafios das instituições socioambientais. Isso inclui, nas instituições ambientalistas, a execução de "projetos vaga-lume", que acabam com o término dos projetos e não deixam legado construtivo e auto-sustentável. Nas organizações sociais inclui o "eco-peleguismo", onde lideranças se perpetuam no poder, descumprem estatutos e esvaziam a participação social. Ao eco-peleguismo, distante das bases e radicado nas cidades, interessa mais a política partidária e as benesses do poder do que o difícil trabalho de apoio à organização comunitária, sujeito aos carapanãs do beiradão, banzeiros dos rios, atoleiros das estradas e violência das periferias urbanas. Aos projetos vaga-lume, falta profissionalismo e compromisso para vencer o desafio de promover impacto duradouro nos problemas que os motivam.
Estamos num momento crucial para a história da Amazônia. De um lado, cresce o numero de iniciativas exitosas de desenvolvimento sustentável, conciliando melhorias de indicadores sociais, crescimento econômico e proteção e uso sustentável dos recursos naturais. Por outro lado, cresce a pressão econômica, motivada pelo avanço do agronegócio, mineração e grandes projetos de infra-estrutura. Temos ainda a crise das mudanças climáticas, que impõe uma nova urgência de mudanças no processo civilizatório. Nesse contexto, é essencial o papel das instituições socioambientais, nos mais diversos campos de atuação: desde os beiradões mais remotos da Amazônia profunda até as periferias das cidades.
É um momento oportuno para uma avaliação estratégica das instituições socioambientais. É essencial valorizar os trabalhos sérios e exitosos, para combater uma percepção de que as ONGs são "antros de corrupção" ou são "contra o interesse nacional". É urgente melhorar a governança e o profissionalismo das instituições. É essencial deixar o partidarismo ou individualismo excessivo para buscar processos participativos e resultados duradouros. A construção da sustentabilidade amazônica deve buscar mais união entorno de objetivos comuns. A Amazônia de hoje precisa das instituições socioambientais mais do que nunca.
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