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Os caçadores dos anfíbios perdidos

O Globo, Ciência, p. 32
10 de Ago de 2010

Os caçadores dos anfíbios perdidos
Pesquisadores fazem busca global por 100 espécies consideradas potencialmente extintas

Cem espécies "perdidas" de anfíbios, potencialmente extintas, estão mobilizando cientistas de cinco continentes. A Conservação Internacional e a União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) coordenam a busca, em todo o mundo, por estes animais não avistados há muitos anos, que poderiam ser vítimas de doenças e da perda de habitat. Duas das buscas serão no Brasil.

- Duas mil espécies de anfíbios, o que equivale a um terço das existentes no mundo, estão em perigo de extinção - lamenta Claude Gascon, co-presidente do Grupo de Especialistas em Anfíbios da IUCN. - A busca por estes animais é emblemática. O que aconteceu com eles pode, em alguns anos, repetir-se com répteis, mamíferos ou aves.

Entre as 100 espécies procuradas, há uma salamandra quirguiz desaparecida desde 1909. Um sapo dourado costarriquenho passou de abundante a extinto em pouco mais de um ano. A montanha que lhe servia de habitat foi tomada por um fungo patogênico que causa quitridiomicose, doença responsável pela dizimação dos anfíbios.

Duas expedições já estão programadas no Brasil, ambas em setembro. A rãzinha-das-pedras, vista pela última vez em 1982, era comum em localidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Outra espécie, sem nome popular ou registro há 50 anos, será procurada em Minas Gerais, São Paulo e no Rio.

- São espécies de Mata Atlântica, que se reproduzem em riachos de água corrente e em pés de montanha, em habitat florestal - descreve Gascon. - Gostaríamos de fazer as buscas por mais tempo, mas certamente o nosso esforço dará origem a outras iniciativas.

Além de controlar as populações de insetos, que destroem plantações e são vetores de doenças, os anfíbios contribuem para manter os sistemas aquáticos saudáveis. Sua pele tem componentes químicos usados na produção de medicamentos. Mas muitas espécies não têm se adaptado a mudanças climáticas, como a elevação da temperatura em regiões de maior altitude.

O Globo, 10/08/2010, Ciência, p. 32

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