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Organicos entram em campo

JB, Economia, p.A17
28 de Fev de 2005

Orgânicos entram em campo
Brasil usará Copa do Mundo para promover produto

Gisele Teixeira e Daniele Carvalho

0 Brasil quer aproveitar uma das maiores paixões dos alemães, o futebol, para reforçar a imagem - e a venda - dos produtos nacionais na Europa, em especial a linha de orgânicos. A estratégia, que começou a ser delineada na última semana, durante a BioFach 2005, em Nuremberg, na Alemanha, será colocada em prática ano que vem, quando o país será sede da Copa do Mundo. 0 presidente da Associação de Promoção das Exportações do Brasil (Apex), Juan Quirós, diz que aproveitou a realização da Biofach, a maior feira de orgânicos do mundo, encerrada ontem, para alinhavar contatos com grandes redes de varejo.

Os orgânicos brasileiros ganharão espaço especial durante te a Copa nos supermercados Basic, que trabalham com produtos naturais e não poluentes. São dez lojas, em cinco cidades alemãs. Os "biossupermercados" respondem atualmente por 20% do faturamento do segmento de produtos naturais na Alemanha.

0 Brasil quer atrair investimentos para processamento de alimentos orgânicos.

- A gente vende matéria prima para a Alemanha. Se o processamento for feito aqui, todos ganham - diz Quirós.

Este ano o Brasil foi tema da BioFach alemã e participou com mais de 100 empresas - apenas 15 foram ao evento em 2003. A Apex investiu R$ 3,2 milhões na promoção dos negócios, que devem chegar a US$ 30 milhões.

Durante a feira, os governos alemão e brasileiro anunciaram que vão trabalhar em uma proposta de redução de tarifas sobre os orgânicos entre Mercosul e União Européia.
Atualmente, o mercado mundial de orgânicos movimenta cerca de US$ 26,5 bilhões e o Brasil representa uma fatia de apenas US$ 100 milhões. A Alemanha é o principal mercado do mundo, e cresce de 10% a 15% por ano.

- A comercialização de orgânicos brasileiros cresce 50% ao ano, o dobro da média mundial. Ocupamos a segunda posição em número de propriedades com lavouras orgânicas, com 19 mil agricultores.

Uma das empresas presentes no evento, a BOC (Brasil Organic Company) representa 18 fornecedores do país. Segundo o diretor Ragi Achcar Júnior, a maior dificuldade dos produtores é encontrar clientes no exterior. Ele diz que o Brasil já tem espaço nas vendas de soja e açúcar, mas tem potencial a ser explorado em itens como milho e arroz.

JB, 28/02/2005, p.A17

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