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Operação prende quadrilha de índios

Diário de Pernambuco-Recife-PE
26 de abr de 2004

Além de tráfico de drogas e porte ilegal de armas, onze atikuns estão sendo acusados de desviar R$ 280 mil

Onze índios da tribo Atikum foram presos no último sábado na reserva indígena no município de Carnaubeira da Penha, no Sertão Central, a 494 quilômetros do Recife. Por força de um mandado de apreensão, busca e prisão expedido pela Justiça da Comarca de Mirandiba, policiais militares, com o apoio de agentes das polícias Civil e Federal, prenderam a quadrilha liderada pelo vereador atikum de Cabrobó, Francisco Manoel da Silva, o Pedro Chico (PSDB), acusada de desviar uma verba de R$ 280 mil proveniente de um convênio entre o Governo do Estado e o Banco Mundial. Oito dos acusados responderão a processo por formação de quadrilha, desvio de recursos públicos e falsidade ideológica. Os outros três foram presos em flagrante por porte ilegal de armas e tráfico de drogas. Todos foram encaminhados ao Presídio de Salgueiro.

Durante as quase 24 horas de operação, os policiais encontraram na aldeia três roças de maconha e 19 quilos da erva pronta para o consumo, além de duas espingardas, um revólver 38 e dois rifles calibre 22, um caminhão F-4.000, um Kadet e duas motos. De acordo com o comandante do 6o Batalhão da PM de Serra Talhada, coronel Antônio Vieira, o grande número de denúncias anônimas motivou a operação na reserva indígena, onde vivem 861 famílias. "Os índios não lideram o esquema, mas são usados como mão-de-obra barata no plantio de maconha".

O superintendente regional da Polícia Federal, Wilson Damázio, informou que o grupo seria responsável pelo desvio de aproximadamente R$ 280 mil, que deveria ser aplicado na construção de casas na aldeia. "Foram encontrados indícios de que eles fraudaram um convênio entre o Governo do Estado e o Banco Mundial. A maioria dos acusados são de origem indígena", declarou.

SURPRESA - O administrador interino da Fundação Nacional do Índio (Funai), Petrônio Machado, mostrou-se surpreso com a notícia da operação, já que nenhum representante do órgão foi notificado da operação. "Estive na região na última sexta-feira e tudo estava muito calmo. É claro que, vez por outra, aparecemalguns plantios de maconha, o que infelizmente é comum na região, mas não tenho qualquer conhecimento sobre desvio de verba federal. Até porque nenhum centavo da Funai chegou até a aldeia este ano", afirmou.

No entanto, a reserva está sendo investigada pelo Ministério Público depois da constatação de irregularidades na aplicação de recursos relativos ao projeto Etnias, promovido pelo Governo do Estado, que distribuiu R$ 13 milhões a comunidades indígenas e quilombolas em Pernambuco. Uma auditoria apontou indícios de desvio de dinheiro por parte de uma das 16 associações existentes na aldeia da tribo Atikum, cuja investigação ainda não foi concluída.

De acordo com Petrônio Machado, os postos da Funai instalados nas aldeias do Estado só podem receber até R$ 4 mil mensais por parte do Governo federal. "Isso impede qualquer desvio dessa quantidade (R$ 280 mil). Mas isso vale apenas para verbas da Funai. Não posso falar sobre verbas do Governo do Estado ou das ONGs que trabalham por lá", explicou o administrador regional.

Além do vereador Francisco Manoel da Silva, foram detidos João Manoel da Silva, Antônio Francisco da Silva, Genildo Antônio da Silva, Givanildo Antônio da Silva, Gilmar Ferreira Nunes, Ivan José dos Santos, Elzo Nélio da Silva, Eugênio Manoel da Silva, Nicélio Hilário Lopes e Genil José da Silva.

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