O Globo, Rio, p. 24
01 de Nov de 2007
Operação flagra carvoaria ilegal em Rio Bonito
Envolvidos estavam derrubando áreas de Mata Atlântica
Ronaldo Braga
Depois de quase dois meses de investigações, a Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca) e a Secretaria estadual do Ambiente realizaram uma operação em Rio Bonito e na localidade de Tanguá, ontem pela manhã, quando foram destruídos 23 fornos que produziam carvão ilegalmente e cerca de 50 sacos de carvão, com dez quilos cada um, que seriam vendidos irregularmente em mercados da região.
As investigações da Cicca contaram com imagens de satélite, que constataram o desmatamento de áreas da Mata Atlântica, junto à nascente do Rio Caceribu, para alimentar as carvoarias, além de provocar queimadas e destruir a mata ciliar de proteção das margens do rio, apontado como o principal do município.
Ninguém foi encontrado no local. Mas, segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que participou da blitz, cerca de cem pessoas, entre proprietários dos terrenos e operadores, já estão identificados e serão enquadrados em cinco artigos da Lei de Crimes Ambientais (número 9605/98). Além de pagar multa, os criminosos serão obrigados a restaurar a mata suprimida. Os comerciantes que compraram o carvão também serão identificados. Os responsáveis poderão ser condenados a pena de três meses a um ano de prisão.
- A falta d'água que atingiu as regiões de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói e as queimadas que vêm ocorrendo, por conta da estiagem prolongada, têm alguma relação com essas carvoarias ilegais. Esses fornos estavam localizados muito próximos da nascente do Rio Caceribu, destruindo o meio ambiente - disse Minc.
Helicópteros ajudam a fazer levantamento
Os responsáveis responderão a acusações baseadas nos artigos 38 (destruir floresta de preservação permanente), com pena de um a três anos de reclusão; 39 (cortar árvores de florestas sem permissão), de um a três anos; 41 (provocar incêndio em mata ), de dois a quatro anos; 44 (extrair floresta em área de preservação), pena de um ano; 45 (cortar madeira para fazer carvão), de um a dois anos de reclusão; e 46 (adquirir, receber para fins comerciais, madeira de área preservada), de um a dois anos de detenção.
A operação de ontem contou com dois helicópteros do Grupamento Aero-Marítimo (GAM)) da PM e 33 integrantes do Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente; do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e da Cicca. Os helicópteros do GAM sobrevoaram a região e averiguaram a prática ilegal da produção de carvão, além de focos de queimadas.
O Globo, 01/11/2007, Rio, p. 24
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