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Autor: Lucas Frasão
08 de Jun de 2010
Uma operação realizada no Pará resgatou 17 pessoas que trabalhavam em condições semelhantes à escravidão em duas fazendas de gado no Pará, algumas delas alojadas dentro de um estábulo. Os funcionários trabalhavam com roçado e estavam instalados em acomodações precárias, sem água potável e banheiro, e com alimentação escassa.
Baseados em uma denúncia, agentes realizaram a operação para encontrar os funcionários em abril deste ano. Mas o caso só foi divulgado há cerca de uma semana pela ONG Repórter Brasil, que atua pelo fim do trabalho escravo no país, e posteriormente pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Uma das fazendas fiscalizadas fica na cidade de São Félix do Xingu e mantinha seis pessoas em condição de trabalho escravo. "Eles moravam em um barraco de madeira inapropriado, sem banheiro ou chuveiro. E duas pessoas moravam em um estábulo sem condições de higiene", diz o auditor fiscal Klinger Moreira, coordenador da operação no Pará.
Segundo ele, os funcionários também estavam sem carteira de trabalho assinada e o salário não era depositado de maneira regular. Só podiam receber o dinheiro depois de realizar o serviço. "Mas no fim do trabalho, a quantia ganha não superava o que eles gastavam com alimentação e equipamentos de proteção individual, que tinham de comprar", diz Moreira.
Na opinião de Eder Sivers, procurador do trabalho que fez parte da busca pelos funcionários, a fiscalização deste tipo de atividade ilegal é mais complicada na Amazônia. "As fazendas ficam em zonas rurais muito distantes dos centros urbanos. É praticamente impossível chegar a um local desses se não houver uma denúncia", diz ele.
"Nesse caso, a denúncia foi feita por um trabalhador de outra fazenda que fugiu. Andou de oito a dez dias em uma estrada de terra até chegar em uma vila e fazer a denúncia. Mas depois não conseguiu reconhecer os locais", explica Sivers. Na procura pela fazenda denunciada pelo trabalhador, os fiscais encontraram situação semelhante em outras duas propriedades.
A outra fazenda encontrada está no município de Altamira, onde foram libertadas mais 11 pessoas, também vivendo em condições precárias. "Isso porque a sede da fazenda era bem confortável. Já os trabalhadores moravam em um barracão de lona perto dos igarapés", diz Sivers.
No total, as vítimas das duas fazendas receberam cerca de R$ 44 mil em verbas rescisórias e indenizações trabalhistas. Além disso, fiscais agora analisam fotos de satélite da região da fazenda de Altamira para detectar se houve desmatamento ilegal de florestas no local.A operação foi realizada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Federal e o Ibama, além da Agência de Defesa Agropecuária do Pará.
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