O Globo, Especial, p. 5
18 de Jun de 2012
ONU: Brasil perdeu 25% das riquezas naturais
Conclusão é de um estudo em 20 países com dados coletados entre 1990 e 2008
Renata Malkes
renata.malkes@oglobo.com.br
Na contramão de todo o desenvolvimento econômico de 31% nas últimas décadas, o Brasil perdeu 25% de suas riquezas naturais percapita nesse período. Na América do Sul, o panorama é ainda mais desanimador: o continente registrou uma perda total de 33%. Os números constam do relatório Índice da Riqueza Inclusiva, divulgado ontem no Riocentro pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pelo Programa de Dimensões Humanas para Mudanças Ambientais Globais, ligado às Nações Unidas.
O documento, inédito, compilou dados coletados entre os anos de 1990 e 2008. O diferencial dessa análise é que foram levados em conta para o resultado capitais manufaturados, humanos e naturais - e não só os tradicionais indicadores do Produto Interno Bruto (PIB) - para avaliar o nível de riqueza dos países pesquisados.
Os 20 países avaliados - Austrália, Brasil, Canadá, Chile , China , Colômbia, Equador, França, Alemanha, Índia, Japão, Quênia, Nigéria, Noruega, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Estados Unidos, Reino Unido e Venezuela - representam 56% da população mundial e 72% do PIB do planeta.
Tentativa de mudar forma de medir crescimento O objetivo é criar um mecanismo mais abrangente de pesquisa, capaz de proporcionar dados sobre o desenvolvimento a longo prazo.
Trata-se de uma tentativa de mostrar que a obser vação de dados econômicos isolados não reflete o verdadeiro crescimento de uma determinada nação. Fatores como educação, infraestrutura, investimentos, florestas, agricultura e combustíveis devem ser incluídos em qualquer análise conjuntural.
- É um primeiro passo, crucial, para mudar o paradigma econômico global, pois nos força a reavaliar nossas necessidades e objetivos como sociedade - afirmou ontem o professor Anantha Duraiappah, diretor do Programa de Dimensões Humanas para Mudanças Ambientais Globais e responsável pela pesquisa.
Para Partha Dasgupta , professor emérito de Economia da Universidade de Cambridge, os números da pesquisa representam um grave sinal amarelo: - Um aumento total da riqueza não necessariamente indica que as futuras gerações podem consumir nos mesmos níveis desta geração - advertiu Dasgrupta.
O Globo, 18/06/2012, Especial, p. 5
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