VOLTAR

ONU alerta para "zonas mortas" no mar

OESP, Geral, p.A11
31 de Mar de 2004

ONU alerta para "zonas mortas" no mar Há 150 regiões marinhas sem oxigênio, com risco de extinção da fauna local
JOHN VIDAL The Guardian
No verão passado, todas as criaturas marinhas de uma grande área do Golfo do México morreram asfixiadas. O mesmo fenômeno ocorreu na América do Sul, China, Japão, sudoeste da Austrália, Nova Zelândia e em mais de 150 outros lugares. O escoamento de fertilizantes à base de nitrogênio e o despejo de esgotos no mar provocam queda acentuada nos níveis de oxigênio dissolvido na água e, segundo a ONU, nos últimos 15 anos o número dessas "zonas mortas" simplesmente dobrou em todo planeta.
Em um novo relatório, o programa de defesa do meio ambiente da ONU disse que hoje 150 áreas marítimas carecem de oxigênio e são uma nova ameaça ao já acentuado declínio dos estoques de pescado - situação presente em várias áreas do Mar Báltico e em partes do Adriático e da Irlanda.
Excesso - "Isso é resultado do uso ineficiente e excessivo de fertilizantes, da descarga de esgoto não-tratado e da contínua elevação da emissão de poluentes", disse Klaus Toepfer, diretor do programa de defesa do meio ambiente da ONU.
"O nitrogênio e o fósforo vindos dessas fontes estão sendo despejados em rios e no litoral, desencadeando esses efeitos alarmantes e às vezes irreversíveis", acrescentou ele. Algumas das zonas mortas têm menos de 1 quilômetro quadrado enquanto outras chegam a 70 mil quilômetros quadrados.
Muitas estão na foz de grandes rios como o Mississippi e o Amarelo, que atravessam enormes áreas industriais.
"A menos que sejam tomadas providências urgentes para atacar as fontes do problema, ele deve se agravar rapidamente", disse Toepfer.
"As zonas mortas atingem áreas costeiras onde muitos peixes desovam e passam a maior parte da vida", disse a coordenadora do programa, Marion Cheatle. As "zonas mortas" vêm sendo observadas desde a década de 1970, mas a velocidade de seu crescimento tem surpreendido os cientistas.
Robert Diaz, professor de Oceanografia da Maryland University, disse que as zonas mortas estão se convertendo rapidamente numa ameaça maior às provisões de peixes do que a pesca predatória.
Ele advertiu que o aquecimento global, com sua provável elevação do índice pluviométrico, tende a agravar o problema porque aumentaria significativamente a descarga de água poluída dos rios para os oceanos.

No Brasil, causas são obras e esgoto
EVANILDO DA SILVEIRA
No Brasil a poluição marinha é causada por três fontes principais:
o desmatamento, as obras de engenharia e os esgotos domésticos. As duas primeiras, ao deixar o solo desnudo, permitem que a água da chuva leve para os rios - e esses para o mar - terra, lodo e outros materiais que tornam o oceano mais turvo. A terceira, por sua vez, rouba oxigênio da água. Todas põem em risco a sobrevivência de inúmeras espécies marinhas.
Segundo o oceanógrafo Luiz Roberto Tommasi, professor aposentado do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), as conseqüências do desmatamento e das obras de engenharia são mais sentidas nas regiões onde deságuam grande rios.
Nesses locais, o aumento da turbidez da água tem reflexos ecológicos sérios.
"O principal é a redução da profundidade de penetração da luz no mar, o que prejudica muitos organismos", diz Tommasi, que hoje preside da Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (Fundespa). "Além disso, o material levado pelos rios pode, ainda, enterrar animais que vivem no fundo do oceano."
A poluição por esgotos ocorre ao longo do litoral, próximo a cidades costeiras. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, apenas 20% da população das zonas costeiras é servida por coleta e tratamento de esgoto. O material jogado no mar estimula a proliferação de microorganismos, que consomem o oxigênio da água, prejudicando outras espécies.

OESP, 31/03/2004, p. A11

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.