Viaecológica-Brasília-DF
23 de Mar de 2005
O que os ruralistas e representantes de madeireiros no Congresso vinham tentando há anos e não conseguiam, por indisposição dos governos em ajudá-los, começa agora a aparecer - o embrião de um cadastro das organziações não-governamentais para tentativa de controlar sua ação na Amazônia. Ontem (22) a Rádio Nacional, estatal, transmitiu um debate sobre o papel das ongs na Amazônia, ficando claro que há nos governos e meio científico pré-julgamentos e sensação de ameaça de um dia se perder o controle da Amazônia devido à incapacidade de o Brasil cuidar de sua proteção. A ação das organizações foi debatida pelos participantes do documentário "Amazônia -terra cobiçada", veiculado pelas rádios Nacional da Amazônia e de Brasília. "Tem umas, todos nós sabemos, que não estão aqui para melhorar a vida do nosso caboclo", disse o general Cláudio Barbosa Figueiredo, chefe do Comando Militar da Amazônia, segundo a Agência Brasil. Para ele essas ongs têm intenções "às vezes até desconhecidas". Já a ativista acreana Leide Aquino, presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), que reúne mais de 500 associações que trabalham no terceiro setor na Amazônia, rebateu a idéia do general. "Essa história de internacionalização da Amazônia pelas ONGs não é verdade". Ela disse que a intenção é o contrário, ou seja, "amazonizar" o mundo. "Eu acho que existem ONGs importantes", afirmou o governador do Amazonas, Eduardo Braga, acrescentando, no entanto, que "há organizações que realmente não condizem com respeito às questões éticas." Para o diretor-geral do Museu Paraense Emilio Goeldi, Peter Mann de Toledo, outro a participar do debate, as organizações não-governamentais que trabalham na Amazônia deveriam receber maior controle, como acontece com as instituições públicas. "A secretária-geral da Organização Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), Rosalia Arteaga, também acha que "como em tudo, devemos ter ONGs na Amazônia que são boas e outras que não sejam". O diretor-geral do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Edgard Fagundes, informou que o órgão não trabalha diretamente com as ONGs na Amazônia e por isso não repassa informações do sistema para elas. "Mas à medida que uma ONG, disse o diretor, tem convênio com o Ibama ou com um órgão parceiro do Sipam, ela também tem acesso a essas informações." Já o diretor do Museu Goeldi destacou a necessidade de diferenciar "a questão das ONG's com relação ao acesso às informações e ao tratamento de informações ligadas aos recursos naturais de propriedade das populações tradicionais". O antropólogo Rubens Tomas de Almeida, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, depois de distinguir as organizações que têm pretensão "nacionalista", lançou uma última questão no debate "A força do terceiro setor": "certamente haverá ONG's que estão de certa maneira tentando obter informações, dados, para transportar a outros, enfim, que têm interesse na globalização da Amazônia". (Veja também www.radiobras.gov.br, www.gta.org.br, www.goeldi.org.br, www.greenpeace.org.br, www.exercito.gov.br).
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