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Óleo de cozinha reciclado vira sabão e biodiesel

OESP. Vida, p. A39
16 de dez de 2007

Óleo de cozinha reciclado vira sabão e biodiesel
Iniciativas ajudam a conservar rios e mananciais, além de evitar obstruções em redes subterrâneas

Rejane Lima

Campeão de reciclagem de alumínio e aproveitador de vidro, plástico e papel, o Brasil começa a ter iniciativas para reciclar óleo de cozinha. Da receita para transformá-lo em sabão à reutilização como matéria-prima para o biodiesel, a prática ajuda a preservar rios e mananciais. Isso porque uma gota de óleo contamina um litro d'água.

"O processo é tão simples quanto reciclar vidro e alumínio", diz o professor de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP) Jorge Tenório. Segundo ele, a indústria já se preocupa com o descarte de óleos lubrificantes por causa de resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e de exigências para exportações ou para a obtenção de selos de qualidade como o ISO 14000.

Em São Paulo, uma lei estadual, apesar de pouco conhecida, prevê a reciclagem. A Sabesp, desde agosto, começou projeto-piloto com uma organização não-governamental para recolher o óleo na região central. "Até agora, 300 condomínios aderiram ao projeto", diz o gerente da unidade de negócios da Sabesp, Carlos Aberto Aparecido. Ele explica que o acúmulo do óleo é o grande vilão das obstruções nas redes e ramais domiciliares.

Proposto pela Sociedade de Amigos e Moradores de Cerqueira César, o material é recolhido pela ONG Trevo. A missão dos técnicos da Sabesp foi distribuir panfletos e orientar a população sobre a iniciativa.

Outra ONG pioneira no reaproveitamento de óleo é a Triângulo, de Santo André. "Em 2004, começamos na raça", diz o diretor Fabrício França. Com patrocínio da Petrobrás, a Triângulo recolhe óleo de 60 mil residências na Grande São Paulo e usa como matéria-prima na produção de sabão em projeto socioeducacional que reverte em renda para jovens carentes. "Deve ter muita ONG começando, a gente orientou várias de diversos lugares do País. Teve gente até de Rondônia visitando o instituto", conta França.

Já o projeto do departamento de Química da USP de Ribeirão Preto que transforma óleo em biodiesel saiu dos limites nacionais e foi premiado. De acordo com o coordenador do programa, professor Miguel Dabdaoub, o projeto "Biodiesel em casa e nas escolas" foi escolhido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Com parceiros de peso como Carrefour, Grupo Pão de Açúcar, Volkswagen, McDonald's e Faber-Castell, o projeto, que começou em 2003 com coleta na universidade, hoje recolhe óleo de 25 municípios do interior de São Paulo e do Triângulo Mineiro. "Podemos atingir 100 toneladas em coletas de óleo."

Ele explica que o programa tem um cunho de desenvolvimento científico, tecnológico, educacional e de conscientização ambiental, pois ensina os alunos de Química a transformarem o óleo em biodiesel, analisa a qualidade do óleo enviado pelas empresas parceiras e promove conscientização ambiental nas escolas.

OESP. 16/12/2007, Vida, p. A39

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