24 Horas News-Cuiabá-MT
Autor: Eduardo Ramos
02 de Jun de 2003
Cansados de esperar por uma decisão da Funai, os índios bororos decidiram manter a ocupação da unidade regional da Fundação em Rondonópolis, que já dura uma semana, e formaram uma comissão que seguiu nesta madrugada para negociar diretamente em Brasília. Eles querem a exoneração do atual administrador da unidade, José Pereira de Miranda Filho, e a regularização do pagamento aos fornecedores da Funai na região.
Na sexta-feira passada o grupo, que representa as aldeias bororos localizadas no sul de Mato Grosso, chegou a receber uma confirmação, via telefone, de que a direção da Funai havia concordado em demitir o administrador e substituí-lo pelo ex-funcionário da Fema, Marcos Rufino, que foi indicado pelos índios. Uma cópia da portaria deveria ser enviada ao grupo via fax, o que não aconteceu.
"Como eles não cumpriram a promessa, decidimos mandar um grupo até Brasília para resolver o problema de uma vez por todas. Até lá vamos manter a ocupação da sede aqui em Rondonópolis", afirmou agora a pouco o cacique Amarílio Toribu, da reserva Praião.
Apesar da crescente intranqüilidade, o grupo promete manter o caráter pacífico da ocupação.
José Pereira de Miranda Filho é acusado de ter abandonado a unidade da Funai e não haver apresentado a prestação de contas referentes aos últimos três meses, o que teria causado o bloqueio dos recursos destinados a região. Sem receber, os fornecedores suspenderam completamente o atendimento às aldeias. Até o telefone da unidade regional foi cortado na semana passada por falta de pagamento.
Além de negligência na condução da unidade em Rondonópolis, o funcionário também é acusado de ameaças e tentativa de suborno a integrantes do grupo que desde a semana passada ocupa a sede da unidade.
Procurado pela reportagem, José Pereira de Miranda Filho não foi encontrado para falar sobre o assunto. As informações são de que ele estaria na reserva recém criada para os índios Terena, na região norte do Estado.
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