O Globo, Opinião, p. 18
12 de Dez de 2013
Obras de infraestrutura contra as enchentes
As demandas precisam ser enfrentadas em conjunto entre governo estadual e prefeituras, com a elaboração de programas de longo prazo
As chuvas que começaram a cair no Rio terça à noite, trazendo imagens que se repetem todos os anos nesta época de temporais, evidenciam que a cidade na qual grandes demandas viárias começam a ser enfrentadas continua a não dispensar o mesmo tratamento a outros tipos de obras de infraestrutura.
Ruas inundadas, trânsito caótico, pessoas ilhadas, feridos (não poucas vezes, mortos) e desabamentos não constituem novidade numa região onde enxurradas são um fenômeno sazonal. Portanto, previsíveis. Ou, ao menos, suas consequências são passíveis de prevenção, no mínimo objeto de ações de redução de danos.
Há um ponto do qual deve partir qualquer política que enfrente de fato a questão das seguidas enchentes: não se chega a soluções para um problema histórico e de tamanha envergadura apenas com o recurso a obras tópicas, muitas vezes ditadas pelo calendário eleitoral, quase nunca à altura da real dimensão dos problemas. Isso vale tanto para os conhecidos pontos de alagamento como para outras áreas da cidade (encostas, redes de escoamento etc.) que contribuem para potencializar os efeitos dos temporais.
As obras em curso na Praça da Bandeira, cujo problema com enchentes já foi cantado até em sambas já na primeira metade do século passado, podem ser um bom exemplo a ser seguido. Depositária secular da lixiviação do Maciço da Tijuca e das águas que para lá escorrem a partir dos bairros do entorno, a região passa, provavelmente pela primeira vez, por uma intervenção planejada, com a construção de um piscinão subterrâneo e túneis extravasores. Mas, por outro lado, a recém-construída Via Binário, na Zona Portuária, foi reprovada no primeiro teste de chuvas fortes e longas. Um caso a pensar.
Há outras áreas, também secularmente castigadas por enchentes, em que a busca de soluções passa pelo compartilhamento de responsabilidades. As chuvas de agora são um exemplo disso. O temporal castigou não só o Rio, principalmente bairros do subúrbio, mas igualmente municípios da Região Metropolitana. O caos não é exclusividade carioca.
Nesses casos, as demandas precisam ser enfrentadas em conjunto entre governo estadual e prefeituras, com a elaboração de programas de longo prazo. Isso implica obras estruturais, estudos integrados e um esforço que pressupõe adotar ações de Estado, em lugar de espasmódicas medidas de governo.
O Globo, 12/12/2013, Opinião, p. 18
http://oglobo.globo.com/opiniao/obras-de-infraestrutura-contra-as-enche…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.