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Obra de médico registra palavras indígenas

Jornal da Cidade de Bauru - www.jcnet.com.br
Autor: Aurélio Alonso
23 de Out de 2008

Ourinhos - No cotidiano há inúmeras palavras indígenas que denominam municípios e logradouros públicos. Foi da curiosidade de saber o significado da sua terra natal, Botucatu (bons ares), que o médico, ex-prefeito de Ourinhos (120 quilômetros de Bauru) e etimologista amador, Clóvis Chiaradia, 73 anos, teve a idéia de publicar o Dicionário de Palavras Brasileiras de Origem Indígena. A obra foi lançada em agosto durante a 20ª edição da Bienal do Livro de São Paulona.

Chiaradia recebeu na última sexta-feira o título de "Cidadão Ourinhense", em sessão solene na Câmara Municipal. O evento serviu de apresentação oficial do livro no município.

No início, ele anotava tudo que encontrava. Depois começou a catalogar. Em trinta anos de pesquisa, conseguiu somar 30 mil palavras.

Daí surgiu a necessidade de reunir esse material em livro. Demorou mais 8 anos para conseguir recursos para publicar em um livro de capa dura de 700 páginas. Foi por meio da lei Rouanet, com patrocínio da Petrobas, que, finalmente, o dicionário foi lançado pela Editora Limiar.

Chiaradia visitou o acervo da biblioteca Nacional do Rio e a Mário de Andrade em São Paulo durante a fase de pesquisa. Ele buscou a etimologia das famílias lingüísticas tupi-guarani, aruaque, caribe e jê.

Os verbetes não se limitam a traduzir a palavra, mas registra o histórico e a localização geográfica de algumas tribos. As palavras foram selecionadas de nomes da botânica, dos animais, de termos antropológicos, do folclore, nomes de cidades e lugares.

Modesto, Chiaradia não considera uma obra acadêmica e sim de curiosidade. Palavras como paçoca, tapera, morumbi e outras de origem indígena estão no dicionário. No livro "tapera" é apontada como nome de cidades do norte ao sul do país. A palavra significa aldeia velha.

Chiaradia já foi prefeito de Ourinhos no mandato 1989-1992 e vice por duas vezes pelo PMDB. Atualmente é médico anestesista na Santa Casa de Misericórdia. Ele estudou em seminário e chegou a cursar geologia. No século passado, uma das obras consagradas é o "Tupi na Geografia Nacional", do desbravador do sertão Teodoro Sampaio.

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