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Obra de linhão de Belo Monte inicia em 2015, diz State Grid

Valor Econômico, Empresas, p. B2
19 de Fev de 2014

Obra de linhão de Belo Monte inicia em 2015, diz State Grid

Por Rodrigo Polito
Do Rio

Alcançado o principal objetivo no Brasil - o leilão da linha de transmissão que escoará a energia da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA), até o Sudeste -, a gigante chinesa State Grid se dedica agora aos prazos do empreendimento. A companhia quer iniciar em agosto de 2015 as obras da linha, de mais de 2 mil quilômetros de extensão. Segundo o presidente da empresa no Brasil, Cai Hongxian, o cumprimento do prazo é fundamental, pois o período das chuvas na região da hidrelétrica começa em outubro. Se a obra não iniciar no tempo previsto, só será possível começá-la em março de 2016.
"Esperamos conseguir as licenças ambientais prévia e de instalação o mais breve possível", afirmou o executivo ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. O prazo para o início de operação da linha é de 46 meses após a assinatura do contrato de concessão, o que deve ocorrer em março. Segundo ele, o investimento previsto na obra é de R$ 4,5 bilhões. A State Grid possui 51% do projeto. Os demais sócios são Furnas (24,5%) e Eletronorte (24,5%), que pertencem à estatal Eletrobras.
O consórcio já assinou contrato com a alemã Siemens para realizar o EPC (Engenharia, Aquisição de Equipamentos e Construção) das duas subestações do empreendimento. Questionado sobre a negociação para contratação de outros equipamentos, como os sistemas de conexão, o executivo disse não estar a par de todos os detalhes. "Eu vejo o projeto como um todo", explicou.
Perguntado ainda sobre a preocupação de fornecedores brasileiros com relação à contratação de produtos chineses para o projeto, ele disse que algumas encomendas serão feitas a empresas brasileiras. "Não há necessidade para ficarem assustados. Não vamos mobilizar todos os fabricantes chineses", afirmou.
Sem considerar o linhão de Belo Monte, a State Grid planeja investir R$ 2,2 bilhões no país até 2015. A maior parte dos recursos será destinada às obras da linha de transmissão que conectará a hidrelétrica de Teles Pires (MT) ao Sistema Interligado Nacional (SIN), de 1,6 mil quilômetros de extensão. A empresa tem 51% do empreendimento, em parceria com a paranaense Copel (49%).
Assim, a chinesa espera cumprir seu plano de negócios no Brasil, que previa investimentos de R$ 10 bilhões até 2015. No país desde 2010, a companhia possui hoje mais de 6 mil quilômetros de linhas em operação.
Hongxian também contou que a empresa ainda planeja investir em geração no país e tem interesse em disputar o leilão da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, de mais de 7 mil MW de potência. A recente entrada da compatriota China Three Gorges (CTG) no mercado brasileiro não altera os planos do executivo. "São duas empresas completamente independentes", afirmou.
A State Grid também mantém os planos de entrar no setor de distribuição do país. Com relação às distribuidoras da Eletrobras, porém, o executivo explicou que, antes de avaliar a possibilidade de adquirir uma fatia nessas empresas, é necessário que a estatal conclua as questões relativas à renovação do contrato de concessão das empresas.
"Somos uma companhia privada. Tenho que cuidar dos negócios. Precisamos obter lucro para manter o desenvolvimento sustentável da empresa", afirmou.
Sobre a situação crítica dos reservatórios hidrelétricos do país e a condição da malha de transmissão de energia brasileira, Hongxian disse que há dois problemas. O primeiro é que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisa ter um poder maior para gerenciar a rede elétrica nacional. Em alguns casos, lembra o executivo, o órgão precisa lidar com até quatro empresas operadoras em uma única subestação de energia.
O segundo problema, para ele, é a necessidade de aperfeiçoar o sistema com tecnologias de automação e de "smart grid" - redes inteligentes. "Investimentos em automação têm uma participação pequena no custo de uma linha de transmissão, mas são muito importantes para a rede".

Valor Econômico, 19/02/2014, Empresas, p. B2

http://www.valor.com.br/empresas/3434792/obra-de-linhao-de-belo-monte-i…

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