O Globo, Ciência, p. 34
21 de Jun de 2013
Obama quer regular emissão de gases de efeito estufa das usinas
Oposição acredita que nova proposta prejudicará economia
O presidente Barack Obama está preparando uma legislação que regula a emissão de gases-estufa pelas usinas. A medida seria um dos passos mais importantes na política climática da Casa Branca e deve enfrentar uma oposição calorosa dos republicanos e do setor industrial. O anúncio foi feito menos de 24 horas depois de a China revelar planos de cortar em 30% suas emissões industriais.
As usinas elétricas são a maior fonte poluidora dos EUA, respondendo por 40% das emissões de gases-estufa. Obama ainda enfrenta restrições a suas investidas contra as mudanças climáticas. Um projeto de lei que determinaria novas metas de emissões está engavetado no Congresso.
Os democratas já aprovaram a restrição de emissões de gases- estufa para usinas em construção. Mas a extensão dessas imposições a plantas já ativas é uma medida mais cara e complexa, que pode demorar anos para ser efetivamente aplicada.
Segundo Heather Zichal, coordenadora para Energia e Mudanças Climáticas da Casa Branca, Obama deverá anunciar novos projetos ligados ao clima a partir da semana que vem. O plano incluiria medidas de incentivo à energia renovável. Nenhuma proposta, segundo os assessores do presidente, requer aprovação do Congresso ou financiamentos.
"O DESAFIO DE NOSSO TEMPO"
Em um discurso em Berlim, Obama abordou as mudanças climáticas de forma incisiva - um modo como, segundo especialistas, não era adotado desde a última campanha eleitoral. De acordo com o presidente, os EUA e o mundo têm o imperativo moral de tomar "medidas ousadas" para desacelerar o aquecimento global.
- Há uma cruel alternativa que afetaria todas as nações: mais tempestades severas, o avanço da fome, mais enchentes, novas ondas de refugiados, litorais afundados, o aumento do nível dos oceanos - descreveu o presidente. - Este é o desafio global de nosso tempo.
Para os republicanos, Obama se excede ao abordar o tema e, com seus projetos, pode comprometer a economia nacional. Alguns representantes do Partido Democrata também se preocupam com o efeito dos novos planos sobre o emprego e o custo do setor energético no Meio-Oeste dos EUA, baseado em fontes baratas, como o carvão.
O alto escalão do governo, no entanto, enfatizou que o presidente assumiu o risco político e econômico de suas iniciativas.
- Ele fala sério sobre esta prioridade de seu segundo mandato - assegurou Heather, em um fórum em Washington. - O presidente sabe que este tema (o combate às mudanças climáticas) pode ser um legado.
Em uma demonstração do destaque que pretende dar ao clima, Obama aumentou a autoridade da Agência de Proteção Ambiental (EPA), que aplicará o Ato do Ar Limpo - uma legislação que combate a poluição atmosférica - para regular a emissão de gases-estufa das usinas.
- A EPA tem trabalhado intensamente em uma legislação que abordaria especificamente a liberação de gases de efeito estufa do setor do carvão - anunciou Heather.
Uma decisão de 2007 da Suprema Corte deu autoridade à EPA para regular os gases-estufa, o que já é feito com veículos. Especialistas do setor ambiental, porém, assinalam que a regulação das emissões das usinas é crucial para uma política realmente comprometida.
- Nada teria um efeito semelhante - avaliou Daniel Becker, diretor da organização Campanha Climática Segura.
O Globo, 21/06/2013, Ciência, p. 34
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