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OAB visita índios para fazer relatório

Dourados Agora-Dourados-MS
Autor: Honório Jacometto
29 de Jan de 2005

Comissão de Direitos Humanos de Dourados vai preparar documento para
OAB em Brasília

Um grupo de quatro advogados que integram a Comissão de
Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Dourados
visitaram ontem as crianças desnutridas que estão internadas no
Centro de Recuperação Nutricional na reserva indígena de Dourados. O
grupo formado pelos advogados Edson Roberto Nogueira, Jairo de Lima,
Márcio Fortini e Mário Claus, ficou no Centro cerca de duas horas e
durante este período conversou bastante com vários funcionários que
trabalham no atendimento às crianças no Centro e nas aldeias de
Dourados. RELATÓRIO
Os advogados estavam interessados em saber como é feito o
atendimento às crianças desnutridas que chegam ao Centro de
Recuperação Nutricional de Dourados. "A gente tem na verdade as
informações divulgadas pelos jornais e televisão, então, a pedido do
presidente da OAB em Mato Grosso do Sul (Geraldo Escobar), viemos
aqui para ver de perto essa situação e produzir um documento que
será encaminhado à OAB em Brasília", disse Edson Roberto Nogueira
aos funcionários do Centro de Recuperação. Os integrantes da
comissão de Direitos Humanos ouviram várias reclamações dos
funcionários, principalmente em relação à falta de pessoal para
ajudar no controle da desnutrição nas aldeias da região. "Viemos
aqui para o Centro para realmente ouvir o que está acontecendo.
Somos uma entidade respeitada e isenta de qualquer interesse
particular ou político. Estamos tentando entender toda essa situação
denunciada na mídia e poder contribuir para sanar essas cenas de
miséria e fome aqui no Estado", disse Jairo de Lima, também
integrante da comissão da OAB de Dourados. Todas as informações
repassadas pelos funcionários da Funasa e do Centro de Recuperação
eram anotadas cuidadosamente pelo advogado Márcio Fortini que
informou que o relatório deverá estar sendo encaminhado para a OAB
em Campo Grande no ínicio da próxima semana. "Queremos com este
documento oficializar o caso junto à Ordem dos Advogados em Brasília
porque o fato existe e não tem como esconder. A OAB resolveu
intervir em favor destas crianças que não podem continuar tendo um
futuro comprometido", disse Márcio Fortini. Os integrantes da
comissão também fizeram questão de ir aos quartos onde estão
internadas as crianças desnutridas e ficaram surpresos com as
imagens que viram no local. "A gente tinha noção do que estava
acontecendo pelas imagens da televisão, mas quando a gente vê essa
situação de perto é muito mais deprimente. Isso é inconcebível.
Impossível acreditar que tem gente nessa situação de fome!", disse
surpreso o advogado Edson Nogueiro, secretário da Comissão de
Direitos Humanos. CAMPO GRANDE
Ao mesmo tempo em que os advogados da comissão de Direitos Humanos
da OAB visitavam as crianças em Dourados, em Campo Grande estava
sendo realizada uma reunião de autoridades estaduais e do governo
federal, que vieram de Brasília para discutir medidas para acabar
com o problema da desnutrição entre as crianças índias da região sul
do Estado. Participaram cinco secretários de Estado, o secretário
Nacional de Segurança Alimentar, José Giacomo Baccarin, o
coordenador da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) no Estado, Gaspar
Hickmann, representantes da Funai (Fundação Nacional do Índio) e
também das áreas de saúde e nutrição da Funasa. Representanto o
governador Zeca do PT estavam os secretários Ralf Marques
(Coordenação Geral de Governo), Hélio Lima (Educaçã), Mathias
Gonsales (Saúde), Valtecir Ribeiro (Desenvolvimento Agrário) e
Sérgio Wanderly (Assistência Social). Laerte Tetila, prefeito de
Dourados, também participou do encontro. CASO
O caso foi denunciado em primeira mão pelo jornal O PROGRESSO na
semana passada. Segundo apurou a reportagem, o índice de mortalidade
cresceu nos últimos dois anos. Em 2002, morreram 46 crianças
indígenas em cada grupo de mil que nasceram. Em 2003 o índice de
mortos subiu para 53 e no ano que passou saltou para 64. Os
funcionários que denunciaram a fome e desnutrição de índios nas
aldeias do Estado atribuem o fato à má administração do novo
coordenador da Funasa em MS, Gaspar Hickmann. O coordenador rebateu
dizendo que os números do ano passado, que apontam aumento no índice
de mortalidade foi atípico e foi ocasionado por causa de várias
mudanças estruturais dentro da administração de recursos e pessoal,
mas que essa situação já tinha sido bem pior. Por causa das
reportagens publicadas no jornal e também na TV Morena, secretários
do Estado e o coordenador da Funasa vieram a Dourados visitar o
Centro de Recuperação Nutricional. Durante a visita não anunciaram
nenhuma medida para que pudesse tentar minimizar a situação da fome
nas aldeias.

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