Campo Grande News
Autor: Marina Miranda
15 de Mar de 2007
Para o presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil), seccional Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, as mortes recorrentes de índios no Estado pode ser considerado genocídio.
O que está em curso com essa mortandade endêmica de índios é, na verdade, um genocídio, que lança na cara da sociedade a acusação, até agora irrespondível, de criminosa omissão. De certa forma há uma cumplicidade com a insensibilidade à vida do próximo, criticou, em texto enviado por sua assessoria de imprensa.
Qual a diferença entre a morte de João Hélio e a morte por fome de uma criança indígena?, questionou, em alusão ao assassinato do garoto morto ao ser arrastado por cerca de sete quilômetros por assaltantes, no Rio de Janeiro. Por que só há mobilização em relação a João Hélio? O que está havendo? Discriminação até na morte?, emendou.
Ao ser questionado sobre a responsabilidade pelo problema, Trad destacou que apontar de quem é a responsabilidade é o que menos importa no processo, já que o índio não pode ser tratado como um objeto da burocracia insensível do poder.
Segundo Trad, a OAB promoveu, em janeiro, encontro com representantes do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza e de indígenas da região de Amambai e nomeou o advogado Wilson Matos da Silva para acompanhar as investigações sobre a morte da indígena Churetê Lopes, ocorrida durante a desocupação da Fazenda Madama, no município de Coronel Sapucaia.
O problema teria despertado à atenção de advogados de São Paulo, que, pela segunda vez, estão entregando 3 mil cestas básicas às aldeias Jaguapiru e Bororó.
Trad também dará posse dentro de alguns dias à Comissão de Defesa dos Direitos Indígenas, criada para acompanhar o problema. Em conversa com o conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil pelo Mato Grosso do Sul, Lúcio Flávio Sunakozawa, os dois decidiram propor à OAB Nacional a criação de uma comissão para tratar exclusivamente dos interesses e assuntos ligados aos indígenas.
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