O Globo, Ciência, p. 38
Autor: PASZTOR, Janos
18 de Mai de 2012
'O mundo inteiro estará de olhos voltados para o Rio em junho'
Corpo a Corpo
JANOS PASZTOR
Graça Magalhães-Ruether
graca.magalhaes@oglobo.com.br
Correspondente
BERLIM. "O mundo inteiro estará de olhos voltados para o Rio em junho", disse Janos Pazstor, secretário executivo do Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global das Nações Unidas, ao encerrar, na capital alemã, um encontro de dois dias para definir os temas a serem abordados pela representação na Rio+20. Segundo Pasztor, que é húngaro, a ausência de chefes de governo de países importantes como dos Estados Unidos e da Alemanha, reduz um pouco a importância da conferência de junho. Mas, como afirmou em entrevista ao GLOBO, pouco antes de embarcar para o Rio, onde apresentará, nesta sexta-feira, juntamente com a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a versão em português do relatório sobre sustentabilidade global, cem chefes de governo e mil presidentes de empresas confirmaram sua presença no encontro de junho, que será a maior conferência da ONU de todos os tempos.
O GLOBO: Quais as conclusões do encontro de Berlim?
JANOS PASZTOR: Não houve conclusões. O objetivo do encontro era discutir dois pontos de vista importantes (para a conferência do Rio) para o desenvolvimento sustentável e economia verde. O desenvolvimento é uma consideração importante, mas não a única. O crescimento econômico, a estabilidade social e a proteção social são igualmente importantes. Desenvolvimento sustentável é a integração dos três aspectos.
Qual é o objetivo da sua viagem ao Rio?
PASZTOR: Na sexta (hoje), a ministra Izabella Teixeira e eu vamos apresentar a versão em português do relatório do painel. Além disso, terei diversos encontros preparatórios para a conferência Rio+20. O relatório do painel, "Pessoas resilientes, planeta resiliente: um futuro que valha a pena escolher", mostra um novo plano de ação mais sustentável para o futuro, com 56 recomendações sobre como colocar em prática o conceito do desenvolvimento sustentável e integrá-lo às políticas econômicas.
Qual é a importância do novo Conselho de Diversidade Biológica (IPBES), que terá a sua sede em Bonn, na Alemanha, no contexto da meta da sustentabilidade?
PASZTOR: Trata-se de um desenvolvimento positivo, que permite a abordagem científica da biodiversidade, que poderá ser considerada de forma mais sistemática. Mas há, entretanto, um desafio importante. Nós temos o IPCC para o clima, teremos o IPBES para a biodiversidade, mas nós precisamos também de uma abordagem mais ampla e sistemática dos temas de sustentabilidade e as suas interrelações.
Muitas pessoas criticaram as metas para a Rio+20 como modestas demais. Qual a sua opinião?
PASZTOR: É verdade que as expectativas para o Rio são modestas. Mas nós precisamos trabalhar duro para atingir essas expectativas. Além do mais, a conferência do Rio não deve ser medida no resultado de haver ou não sucesso em um acordo negociado. Muito mais importante será a presença de um grande número de pessoas do setor privado, da sociedade civil, e outros, que virão para demonstrar o que eles estão fazendo e o que mais eles estão preparados para fazer. O Rio será o início de uma nova era.
Muitos chefes de governo de países importantes como Barack Obama, dos EUA, e Angela Merkel, da Alemanha, não vão participar. Isso reduz a importância da conferência?
PASZTOR: Sim, acho que vai mesmo reduzir a importância. A presença dos chefes de estado e de governo é importante. Só esses chefes conseguirão reunir os aspectos que são importantes para o desenvolvimento sustentável.
O senhor acha que o mundo será melhor depois da Rio+20?
PASZTOR: O mundo está sempre melhorando o tempo todo. Sim, há ainda problemas, mas eu prefiro viver no mundo de hoje do que no mundo dos anos de 1950 e de 1970. A Rio+20 vai fazer uma diferença para melhor. Seja o que aconteça. Mesmo que as negociações terminem em "fracasso", o que eu não acredito que será o caso. O Rio será um sucesso. Ajudará a aumentar a conscientização sobre a sustentabilidade. O mundo inteiro estará de olhos voltados para o Rio em junho.
O Globo, 18/05/2012, Ciência, p. 38
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