A Crítica-Manaus-AM
30 de Out de 2005
A partir de hoje, representantes dos povos indígenas da Amazônia, dos governos federal, estadual e municipais, pesquisadores e ativistas da causa indígena iniciam um importante diálogo sobre a política do Governo para os povos indígenas e a proposta formulada por esses povos. A região é que concentra a maior pluralidade étnica do País.
A importância dessa 6ª conferência regional não se reduz ao fato de que nela será feita a síntese das reivindicações a serem defendidas na conferência nacional. Esse aspecto tem a sua relevância, mas é o encontro em si que marca uma outra etapa singular para que as lideranças indígenas se posicionem em um momento crítico que vivem os indígenas diante da fragilidade e dos erros na condução da política governamental para os indígenas. As condições de vida da maioria dos indígenas se agravaram sensivelmente. Doenças, fome e mortes entre esses povos passaram a ser notícias freqüentes. A agilidade no processo de definição das terras indígenas é quase uma ficção diante do avanço avassalador das frentes desenvolvimentistas que exigem mais terras e mais fontes de matérias-primas. O confronto torna-se maior e desigual.
Passa por essa conferência amazônica a oportunidade de o Governo rever, responsavelmente, a sua posição e estabelecer metas exeqüíveis. Embora os interesses, nessa questão, sejam conflitantes, é dever dos gestores públicos garantir os direitos dos povos indígenas. Ter firmeza e clareza quanto as decisões que devem ser tomadas e informar melhor à sociedade o que faz, o que quer fazer e como vai fazê-lo. As populações indígenas não podem permanecer como questão secundária no plano governamental. O País tem amplas possibilidades de construir um modelo diferenciado, positivo e exemplar de política indigenista e caminhar com segurança para a construção de uma política pública nessa área. O movimento indígena ao longo da sua história tem oferecido importantes contribuições, a maioria delas ignorada. É preciso vontade política para a superação do atraso brasileiro no que diz respeito ao lugar que devem ter os povos indígenas no Brasil. A conferência, nesse aspecto, se constitui em um alerta e um instrumento público de defesa da terra, da saúde, da cultura e da educação dos indígenas do Brasil.
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