GM, Nacional, p. A5
27 de Dez de 2004
O Jacaré e o pirarucu poderão entrar no prato da inclusão social
O manejo extensivo do pirarucu e do jacaré-açu - duas espécies amazônicas que até pouco tempo figuravam na lista do Ibama de animais ameaçados de extinção - é apontado como opção para geração de emprego e renda para ribeirinhos dos estados do Norte, em especial o Amazonas.
Proibida desde 1967, a pesca ao jacaré (do tupi yaka''ré), pode ser legalizada, na Amazônia, a partir do próximo ano, a depender do resultado da pesquisa que um grupo de técnicos e cientistas, sob a coordenação da paraense Sônia Luzia de Oliveira Canto realiza na reserva extrativista de Mamirauá, no estado do Amazonas. Estima-se que há na reserva pelo menos 2,4 milhões de jacarés, uma superpopulação que precisa ser controlada mediante manejo.
A lei proíbe que animais nativos sejam manejados diretamente em vida livre. Só é autorizado o manejos em cativeiro. Com a mudança na lei, o manejo de fauna silvestre poderia ser feito de modo extensivo (em condições naturais) pelas populações ribeirinhas, que teriam nos jacarés uma opção econômica de importância sem precedentes na história recente da região. "Os primeiros a serem beneficiados por uma possível liberação seriam os moradores das reservas extrativistas que atualmente só estão autorizados a comercializar borracha, castanha e produtos florestais não-madeireiros", diz o presidente do Ibama, Marcus Barros.
O estabelecimento do manejo extensivo do jacaré na Amazônia poderá representar também um golpe fatal na captura e no comércio ilegais que ameaçam a sua sobrevivência na região.
O Ibama autorizou o abate de 200 jacarés das espécies tinga e açu, em caráter de pesquisa científica. É a primeira vez que a instituição concede a autorização, em decisão anunciada depois do registro de ocorrência de acidentes provocados por jacarés, em razão de suposta superpopulação.
Assim como ocorre com o jacaré (crocodilo)em outras partes do mundo, a exploração do pirarucu, sob manejo extensivo, também pode ser intensificada a partir do próximo ano, segundo informam técnicos do Instituto de Desenvolvimento Mamirauá, com sede na cidade amazonense de Tefé, a 520 quilômetros de Manaus. O pirarucu - um peixe que chega a pesar 140 quilos e cresce nove quilos por ano -, produz carne considerada de excelente qualidade e apreciada por nativos e estrangeiros, é estudada há dez anos por instituições públicas, como a Embrapa, para exploração sob manejo extensivo. A reserva de Mamirauá, localizada na confluência dos rios Solimões e Japurá e por eles delimitada, apresenta-se como de grande potencial para a exploração do pirarucu, segundo os técnicos.
A reserva abriga mais de 600 lagos naturais, de águas escuras e não muito profundas, onde os pirarucus se reproduzem e crescem no meio de uma farta vegetação aquática, que os protegem dos pescadores no período da enchente. A área tem 1.350.000 hectares, o equivalente à metade do estado de Sergipe. De apenas três desses lagos foram retirados, até o dia 30 de novembro, quando começou o período de defeso do pirarucu, 770 toneladas de carne desse que é o maior peixe de escama da Amazônia.
Em Mamirauá vivem cerca de 400 pescadores, distribuídos entre os municípios de Tefé, Manaã e Fonte Boa. Cada um deles terá, neste final de ano, R$ 3 mil extra, resultado da exploração do pirarucu sob manejo sustentável, em caráter experimental.
GM, 27/12/2004, Nacional, p. A5
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