Diário do Amazonas-Manaus-AM
07 de Jan de 2005
A ocupação da sede da Fundação Nacional dos Índios (Funai), em Manaus, por representantes de comunidades indígenas é muito mais que um ato de representação exótica ou de comportamento inadequado que possa ser resolvido no âmbito da Polícia Federal. Há um acumulo de problemas na condução da política indigenista pelo Governo brasileiro, e de igual forma pelos governos estaduais. O movimento indígena que viu na candidatura Lula a perspectiva de ter respostas mais avançadas as suas reivindicações, e inaugurar, com a vitória do então candidato, um outro diálogo, tem recebido do Governo um tratamento desrespeitoso e profundamente burocrático. O processo de demarcação das terras indígenas se arrasta e, nas outras áreas, como a da saúde, as dificuldades foram profundamente ampliadas. A burocracia que pode justificar, para o Governo, a lentidão das ações, as pequenas respostas, aos indígenas é uma repetição de erros do passado e desta feita, com um sabor mais amargo, pois, não era esse o comportamento que as principais lideranças indígenas esperavam de um governo popular. A adesão à causa dos Mura - querem a demarcação das terras -, por várias outras etnias e a multiplicação das reivindicações é uma atitude natural e, no mínimo, deveria ter sido vislumbrada pelas autoridades, notadamente aquelas que têm a responsabilidade de realizar a política indigenista brasileira. Há, na contramão da luta indígena, um espaço estimulado para o avanço de empreendimentos do setor primário em áreas indígenas, o que representa o anúncio de choques de várias proporções. Aparentemente, a opção do Governo tem sido manter o enfrentamento. O diálogo está sendo deixado de lado e, o que é mais grave, a não reavaliação da política indigenista do País e, a partir dela, a adoção de providências que possam inaugurar um novo tempo na relação Governo brasileiro x povos indígenas
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