O Globo, Economia, p. 46
22 de Abr de 2012
O Globo lança campanha pelas toninhas
Mobilização para preservar o golfinho mais ameaçado do Brasil e por limpeza das praias tem apoio de WWF e Fiocruz
RIO - Toninhas não gostam de praias sujas. Cariocas também não, e vão se mobilizar para preservar o golfinho mais ameaçado do Brasil (Pontoporia blainvillei). A menos de dois meses da realização da Rio+20, o GLOBO lança hoje uma campanha com o objetivo de preservar o cetáceo, que está sob risco de ser extinto por causa da poluição e da pesca com redes.A iniciativa, que também pretende melhorar a qualidade ambiental de nossos mares, já nasce com o apoio de ONGs, instituições de pesquisa e empresas, entre elas o WWF-Brasil, a Fiocruz e a grife Reserva. Uma das ideias principais é mostrar que todos podem colaborar: se não sujarmos mais nossas praias, quem sabe as toninhas apareçam para agradecer.
- Só cuidamos do que conhecemos. Para grande parte da população, a toninha é uma ilustre desconhecida - disse o especialista em fauna marinha Salvatore Siciliano, pesquisador da Fiocruz e um dos autores do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Toninha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). - Esta será a primeira campanha da toninha de longo alcance.
Para fazer o carioca ficar mais íntimo deste cetáceo, as informações vão circular de diversas maneiras. A partir de hoje, a campanha ocupará o jornal, a internet e, num segundo momento, também ruas da cidade. A Fiocruz criou um site especial (http://www.ensp.fiocruz.br/toninha/), com dados técnicos e curiosidades acerca do golfinho.
Os leitores do jornal também poderão participar, a partir do dia 29, com cartazes que alertem para a necessidade de preservação da toninha. O melhor trabalho participará da exposição GlobAllMix, em junho, no Planetário da Gávea. Sob o tema "sustentabilidade e design", a mostra terá curadoria do designer Felipe Taborda e contará com a participação de 30 artistas gráficos do mundo. Experiência semelhante foi realizada há 20 anos, durante a Rio-92.
Tanta mobilização não poderia deixar de lado atividades na praia. Serão organizadas ações para conscientizar o carioca da importância de não jogar lixo na areia nem no mar. Grifes que abracem a ideia farão produtos exclusivos em favor da causa.
O bom humor será uma das marcas da iniciativa de preservação da toninha. Um game virtual gratuito está sendo desenvolvido e ficará disponível no site do GLOBO, na página da Rio+20. O desafio do jogo será livrar a toninha de ameaças que colocam sua sobrevivência em risco.
- O GLOBO tem um forte envolvimento com o Rio de Janeiro e a missão de promover e de comunicar ações de valorização e de cuidado com a cidade - afirmou Fernanda Araujo, gerente de Marketing do jornal. - Nossa campanha mostra o quanto um simples gesto, o de não jogar lixo na praia, pode contribuir não apenas para o bem-estar do carioca como para a preservação de uma espécie animal em extinção.
As ações do GLOBO em apoio à Rio+20 preveem ainda a realização de três seminários abertos ao público. Os dois primeiros debates acontecerão na Casa de Cultura Laura Alvim. No próximo dia 15 de maio, o tema será "Economia verde", assunto central da conferência realizada pela ONU na cidade. Já em 11 de junho, especialistas vão discutir a "Preservação de espécies X poluição". Além da sobrevivência dos animais, a situação dos oceanos, que enfrentam aumento de temperatura e de acidez, serão tópicos do debate. E, finalmente, em julho, haverá um seminário para fazer um balanço da Rio+20. Neste encontro, pouco depois da conferência, especialistas vão analisar o legado do evento para a cidade.
Na areia, ameaça ao homem e a outras espécies
Parasitas e falta de alimentos afetam a biodiversidade
A poluição é o problema mais óbvio - afinal, o carioca chega a jogar, em apenas três meses, mais de nove mil detritos na areia, suficientes para encher um prédio de 30 andares. À beirada praia, porém, há outros problemas. A quantidade de contaminantes ali presentes torna uma simples passagem pelo solo fofo uma ameaça à saúde. Muitos agentes patogênicos estão presentes na praia na forma de ovos ou cistos. O contato com fezes de cães, por exemplo, pode provocar doenças de pele, como o bicho geográfico, um parasita que causa irritação, coceira e dor especialmente afeito a pés.
Além dos seres humanos, uma grande diversidade de espécies é afetada pela falta de conservação desse ecossistema. Alguns restringem se à faixa úmida, banhada pelo mar; outros preferem a área seca; e um terceiro grupo vive entre os grãos de areia. Todos enfrentam problemas com o fim do estoque de alimentos, caso dos caranguejos, por exemplo. Na falta de uma vegetação que lhes dê alimento, resta buscá-lo no mar. Mas a urbanização também se incumbiu de cortar este canal. Afinal, a matéria orgânica que nutre estes animais, entre outros ocupantes daquele espaço, é varrida pelos garis.
O Globo, 22/04/2012, Economia, p. 46
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