CB, Ciência, p. 27
Autor: MARTHA JUNIOR, Geraldo
20 de Dez de 2009
O estilo de crescimento da agricultura brasileira
Geraldo Martha Jr.
Nas últimas décadas,o Brasil se tornou uma superpotência agrícola. Essa conquista, que centrou fortemente em ganhos continuados e crescentes de produtividade, trouxe uma série de benefícios socioeconômicos e ambientais para a sociedade brasileira. Estimativas da Embrapa, com base no IBGE, indicaram que o "efeito poupa-terra" desses ganhos em produtividade pouparam cerca de 250 milhões de hectares do cultivo!
Assim, embora em alguns casos sejam observadas práticas inadequadas de produção agropecuária, nocivas ao ambiente, deve-se observar que o Brasil é hoje uma potência agrícola que vem sustentando sua agricultura com um grau moderado a baixo de antropização de seus Biomas. Tal constatação foi ratificada pelo Projeto Probio (2007), do Ministério do Meio Ambiente. De acordo com esse estudo, em 2002, a proporção dos Biomas Amazônia e Cerrado com atividades humanas era de 9,50% e 38,98%, respectivamente; ou seja, na virada do milênio, cerca de 90% da Amazônia e 60% do Cerrado ainda estavam preservados.
Pelo aspecto socioeconômico, o progresso tecnológico da agropecuária brasileira, ao reduzir os preços dos alimentos ao consumidor, trouxe um ganho enorme para a sociedade. Com base no Dieese calcula-se que, em junho de 2009, o valor da cesta básica na cidade de São Paulo, em termos reais, equivalia a 49,45% do valor correspondente àquele registrado em janeiro de 1975 - em outras palavras, o custo da alimentação ao consumidor caiu pela metade no período, refletindo largamente a expansão da produção agrícola no país.Além disso, o aumento de uma oferta de alimentos,com preços mais baixos e competitivos, possibilitou: 1) aumento do poder de compra do mais pobre, gerando um efeito de renda que permitiu que parte dos recursos anteriormente gastos com alimentação fosse direcionado para dinamizar outros setores da economia; 2) redução no risco de variabilidade no abastecimento e melhoria na qualidade dos produtos; 3) redução de pressões inflacionárias, contribuindo para uma maior estabilidade macroeconômica; e 4) excedentes para exportação, contribuindo positivamente (e decisivamente) com a balança de pagamentos brasileira e com a segurança alimentar em outros países.
Vale lembrar que nesse processo houve uma expressiva transferência de renda do produtor rural para a sociedade brasileira.
Por fim, em que pesem questões que precisam ser resolvidas nas diferentes cadeias agroindustriais, com o intuito de garantir a sustentabilidade plena do negócio agrícola, é importante entender que, no balanço, temos muitos motivos para ter orgulho do agronegócio brasileiro.
Geraldo Martha Jr. é pesquisador da Embrapa/Cerrados
CB, 20/12/2009, Ciência, p. 27
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