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O difícil é sensibilizar a população, diz analista

ICMBio - www.icmbio.gov.br
Autor: Carla Lisboa
23 de Nov de 2009

A analista ambiental Yeda Bataus, do RAN, disse que o ICMBio tem facilidade de encontrar parceiros para iniciar uma ação em favor da conservação da herpetofauna insular. O difícil, segundo ela, é sensibilizar a população para a necessidade desse trabalho com essas espécies de animais. As serpentes, por exemplo, por motivos óbvios, não têm o menor carisma entre a grande maioria da população. "Apesar disso, como qualquer outro animal, elas são importantes para o equilíbrio de um ecossistema, pois fazem parte de uma cadeia alimentar. E quando ocorre o desequilíbrio nessa cadeia, ele afetará também as espécies carismáticas", explica a analista.

Ela alerta para a importância de se preservar os répteis e anfíbios. "O veneno das serpentes, por exemplo, é alvo de grande interesse comercial para produção de medicamento, como, por exemplo, remédios para controle de pressão arterial, anticoagulante e outros", informa a analista, ao lembrar que esse é um dos fatores que estimulam a biopirataria em todo o mundo. "Por causa da importância desses animais para a indústria farmacêutica e para a saúde humana, muitas espécies são traficadas para o exterior favorecendo os grandes laboratórios (desenvolvimento de medicamentos) e também para colecionadores", diz.

O chefe-substituto da estação ecológica, Gerhard Kempkes, ressalta que há um conjunto de fatores que levaram essas espécies moradoras da Esec Tupinambás e da Arie Queimada Grande ao estado crítico de ameaça de extinção. Ele destaca, por exemplo, o fato delas serem endêmicas das ilhas e, por isso, disporem de pouco espaço para encontrar alimento e para a reprodução. Além disso, há intervenções antrópicas (feitas pelo homem), como os exercícios de tiro realizados periodicamente pela Marinha na Ilha de Alcatrazes. Segundo ele, a Marinha cumpre vários procedimentos de segurança para tentar minimizar o impacto desses exercícios na fauna e na flora, tanto terrestres quanto marinhos.

Em 2005, após um incêndio ocorrido no local, quando foi multada em cerca de R$ 1 milhão e teve as atividades embargadas pelo Ibama, a Marinha adotou novas regras para preservação das espécies animais e vegetais da ilha. "Foi a partir do termo de compromisso assinado entre o Ibama/ICMBio e o Ministério da Defesa que a Marinha passou a tomar cuidados especiais durante os exercícios de tiro", informa o chefe-substituto da Esec.

Ele cita outros fatos para mostrar como é importante a elaboração do plano de ação nacional para proteção dessas espécies: "Duas espécies de anfíbios (a Scinax alcatraz e a nova espécie Cycloramphus faustoi) foram encontradas em bromélias situadas bem próximo do local em que a Marinha pratica tiro e onde já ocorreram incêndios na vegetação, o que as torna ainda mais ameaçadas de extinção", revela Kempkes.

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