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O Brasil da poluição e da devastação

OESP, Vida, p. A24
14 de Mai de 2005

O Brasil da poluição e da devastação
Pesquisa inédita mostra: 6 em cada 10 brasileiros vivem em cidades onde a qualidade de vida é prejudicada pela degradação ambiental

Luciana Nunes Leal
Felipe Werneck

A poluição das águas, principalmente por falta de saneamento básico, queimadas e desmatamento são os principais problemas ambientais do País, revela pesquisa inédita do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 5.560 municípios. Seis em cada dez brasileiros vivem em cidades onde a qualidade de vida é prejudicada pela degradação do meio ambiente, em especial no que diz respeito à poluição da água. Porcentual maior, 77% da população, vive em municípios onde rios e lagos estão assoreados. E metade dos brasileiros mora em cidades com alto grau de poluição do ar.
Mais de 2 mil municípios (2.263 ou 41% do total), onde vivem 108 milhões de pessoas (62% da população), sofrem alterações ambientais que prejudicam diretamente a vida dos moradores. O esgoto a céu aberto é o maior vilão da degradação. Em seguida estão o desmatamento e as queimadas. Já a escassez de água é o problema mais grave para os 46,6% de municípios onde a atividade econômica primária (pesca, agricultura e pecuária) teve impacto negativo por danos ambientais.
Entre 1974 e 2003, mais de cem mil pessoas foram vítimas de acidentes naturais no Brasil. Nesse período, deslizamentos de terra e enchentes deixaram mortos, feridos e desabrigados, especialmente nas grandes cidades do Sudeste. Em 2002, cerca de cem pessoas morreram nesse tipo de acidente.
O levantamento retrata o ponto de vista dos prefeitos dos 5.560 municípios sobre o tema, com dados referentes a 2002. Com base nos questionários respondidos, os técnicos do IBGE descobriram que o Arco do Desmatamento, faixa de destruição ambiental localizada principalmente no Centro-Oeste e Norte, está se estendendo.
Constataram também a existência de grande número de municípios expostos a doenças transmitidas por ratos, mosquitos, barbeiros e caramujos e levantaram índices de mortalidade infantil alarmantes nas cidades com graves problemas de saneamento.
As cidades vêm detectando seus problemas ambientais, mas ainda são lentas no combate às causas. Na maioria dos itens, o número de municípios que apontam o problema é bem maior do que os que adotam medidas de prevenção. A falta de compromisso com o meio ambiente é explicitada pelo fato de só 6% das prefeituras terem uma secretaria exclusiva para a área - no País, 1,1% do quadro de funcionários municipais, em média, é dedicado à pasta.

OESP, 14/05/2005, Vida, p. A24

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