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O 11 de Setembro ambiental

O Globo, Ciência, p. 26
15 de Jun de 2010

O '11 de Setembro' ambiental
Barack Obama compara vazamento do Golfo ao maior atentado da História

O presidente dos EUA, Barack Obama, declarou que o desastre no Golfo do México, causado pela explosão da plataforma de petróleo Deepwater Horizon, em 20 de abril, de onde vazam cerca de 25 mil a 40 mil barris por dia, será para o meio ambiente o que o maior atentado terrorista da História, o 11 de Setembro de 2001, foi para a política: um divisor de águas, capaz de mudar a forma como os americanos veem a defesa do meio ambiente. Em entrevista ao blog Politico, Obama disse que a catástrofe "vai moldar a forma como pensamos o meio ambiente nos próximos anos": - Da mesma maneira que fomos obrigados a rever nossas vulnerabilidades na política externa com o 11 de Setembro, teremos que repensar, a partir desta imensa catástrofe, nossas posições sobre o meio ambiente e a energia nos próximos anos - disse ao site o presidente, que fará hoje um pronunciamento à nação sobre o tema.

Em sua quarta visita à costa do Golfo do México desde o início do vazamento - que alcança os estados da Louisiana, Mississippi, Alabama e Flórida -, o presidente alertou para a profunda dependência de combustíveis fósseis, lembrando que, apesar de responderem por mais de 20% do consumo mundial de petróleo, os EUA têm menos de 2% das reservas mundiais.

Obama pediu à população que apoie uma campanha por energia limpa e "abrace um novo futuro". Em comunicado, ele afirmou: "Nós estamos trabalhando para responsabilizar a (petroleira britânica) BP pelos danos às terras e aos meios de sustento (dos habitantes) da costa do Golfo, e estamos tomando firmes precauções para garantir que um vazamento como esse nunca mais volte a ocorrer." No texto, distribuído por email, o presidente disse ainda que "chegou a hora, de uma vez por todas, de esta nação abraçar inteiramente um novo futuro". "É assim que vamos reinventar nossa economia." O presidente lembrou que a transição para uma economia de energia limpa vai exigir um período de adaptação e terá custos, mas que o mundo precisa prestar atenção no alerta do desastre do Golfo e buscar opções para um futuro de energia limpa.

A última revisão do governo americano sobre o volume de óleo derramado é das mais pessimistas. Pelos novos cálculos, até o último dia 3 de junho, quando a BP instalou uma cápsula sobre o poço para tentar conter parte do derrame, vazam de 25 mil a 40 mil barris por dia. O volume é similar ao total derramado em um ano nos mares da América do Norte.

O presidente terá uma reunião hoje com representantes da BP. O prazo dado por Obama à empresa para explicar que medidas pretende tomar para retirar mais óleo das águas terminou na noite de ontem e o encontro servirá também para a prestação de contas.

O Chernobyl da indústria do petróleo

Santiago Carcar
Do El País

Um poço entre 56 mil. Uma perfuração a mais no Golfo do México. Em porcentagem, 0,0017% de possibilidade de dar errado. E aconteceu. Em 20 de abril, a 64 quilômetros da costa da Louisiana, algo saiu mal. Muito mal. Tanto, que pode ser um divisor de águas no negócio mais rentável do mundo: o de petróleo.

Nesse dia de abril, a plataforma de exploração em águas profundas Deepwater Horizon, da British Petroleum, afundou. O mais grave: 11 mortos. E o mais preocupante: a maré negra que se espalha por centenas de quilômetros.

Quase dois meses depois da tragédia, se desconhecem as causas e suas consequências.

Sequer se sabe quanto petróleo ainda vaza. E desde o acidente as ações da BP já caíram 40%. Enquanto isso, a BP e todos os envolvidos cruzam os dedos para que o desastre não se converta no Chernobyl da indústria do petróleo.

O acidente no Golfo pode ter reflexões em todo o setor. Para começar, as prospecções em águas profundas, que o Governo do presidente Barack Obama havia ampliado, incluindo as das águas do Atlântico e do Alasca, estão paralisadas. E ninguém na indústria sabe por quanto tempo. Tudo dependerá de quanto dure a crise.

A pesca está proibida em 200 mil quilômetros quadrados da costa americana.

As cifras do desastre são confusas. Grupos ambientalistas, como o Greenpeace, dizem que deverá passar muito tempo até que se conheça a verdadeira dimensão deste desastre.

A indústria admite que em pontos concretos (procedimentos de segurança, contratos e concessões) haverá mudanças. Mas é esperar para ver. O setor diz que perfura milhares de poços em todo o tipo de ambiente operacional, em águas profundas e em terra firme, sem acidentes. Mas desastres como os de Deepwater Horizon, Ixtok 1, Exxon Valdez, Prestige ou da plataforma Piper Alpha no Mar do Norte, que deixou 167 mortos, não são raros.

O Globo, 15/06/2010, Ciência, p. 26

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