A Gazeta do Acre-Rio Branco-AC
Autor: TATIANA CAMPOS
15 de Jan de 2004
O número de registros das "doenças do mundo", como são conhecidas as doenças sexualmente transmissíveis entre os índios, vem aumentando nas aldeias acreanas. A informação é da Casa do Índio, entidade voltada para o atendimento médico e assistencial das populações indígenas.
Segundo o doutor Jaime Valência, que atende na Casa do Índio, o aumento no número de casos não significa, necessariamente, que as DSTs venham aumentando entre os índios. O resultado é fruto de um trabalho que vem sendo desenvolvido nas aldeias sobre as doenças sexualmente transmissíveis, também conhecidas como "doenças de mulher" entre as populações indígenas.
"Esse aumento vem ocorrendo há dois anos, quando começamos a trabalhar o Programa DST nas Aldeias. Temos capacitado profissionais para o diagnóstico sintomático, ou seja, por grupos de doenças que apresentam sintomas e características semelhantes. Elas estão sendo mais diagnosticadas, não quer dizer que aumentaram", explicou Valença.
Segundo o médico, este tipo de diagnóstico facilita o tratamento das doenças, já que não existem laboratórios disponíveis. O programa foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde e segue as regras da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Índios se recusam a usar preservativos
Alheio à cultura indígena, o preservativo encontra grande resistência por parte dos índios, que se recusam a usar a camisinha. "Nós trabalhamos com um material de educação voltado para as populações indígenas, com bonecos, cartazes e um pouco de psicologia. Para eles, o que importa é a reprodução, o que explica que adolescentes de 14 anos tenham três filhos, por exemplo. Mas o preservativo não é aceito por eles", comentou o médico.
Segundo Valença, os índios só usam preservativos quando têm alguma DST e estão em tratamento. "Nós orientamos para que eles usem a camisinha durante a medicação, para que eles não contaminem as esposas nas aldeias. Dessa forma eles usam", disse o médico.
Pajé é procurado antes do médico
Os índios não se recusam a usar os remédios da medicina "dos brancos". Pois até que um índio chegue ao médico convencional ele já tem superado vários caminhos. O primeiro passo são os amigos mais confiáveis e o pajé, que ensina tratamentos naturais, e que funcionam na maioria das vezes segundo Valença.
"Eles chamam gonorréia de 'esquentamento' e se tratam com óleo de copaíba, mas não dão detalhes do tratamento", ressaltou Valença.
As doenças mais comuns entre os índios são as do grupo de corrimento uretral ou vaginal, e as úlceras genitais (herpes genital, cancro mole e sífilis).
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