OESP, Geral, p.A22
29 de Mai de 2004
Novos peixes, borboletas, flores: o Biota registra tudo
Programa, que completa cinco anos, realiza exposição sobre biodiversidade paulista
ALESSANDRO GRECO
Fazer pesquisa no Brasil não é fácil, mas algumas vezes pode ser eletrizante. Pesquisadores catalogando peixes em riachos na bacia do Alto Rio Paraná passaram por uma experiência única. Usando uma rede eletrificada, dois pesquisadores, cada um segurando uma ponta da rede de um lado do riacho, davam literalmente um choque nos peixes que passavam pelas águas naquele momento para então fazer o inventários deles. O trabalho faz parte do Programa Biota/Fapesp (www.biota.org.br) e já rendeu 12 novas espécies de peixes, além de vários choques nos pesquisadores.
"Foi hilário e ao mesmo tempo tenso, pois o choque era respeitável", comenta, rindo, Carlos Alfredo Joly, coordenador do programa que está completando cinco anos em 2004 e terá, a partir de terça-feira, às 19h30, uma exposição, a Cores e Sombras da Biodiversidade do Estado de São Paulo, no Centro Cultural Citibank (Avenida Paulista, 1.111) .
Idealizado como um programa de catalogação, conservação e uso sustentável da biodiversidade do Estado, o Biota já tem um banco de dados com quase 8 mil espécies diferentes de fauna, flora e microorganismos - pelo menos 152 delas ainda eram desconhecidas da ciência.
Longo trabalho - Até o fim do projeto, que tem mais dez anos, milhares de outras espécies serão catalogadas, mas ninguém ousa adivinhar quantas serão. "A comparação que faço é : quantas estrelas há no céu? Ninguém sabe. Estamos na mesma situação em relação à biodiversidade do nosso Estado", afirma Joly.
Os números já consolidados, porém, impressionam. Entre os invertebrados marinhos coletados no Litoral Norte, entre os municípios de São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba, foram catalogadas 800 espécies, mais de 70 delas desconhecidas da ciência.
Com as borboletas ocorreu algo semelhante. Havia 1.538 delas registradas no Estado. O Biota achou mais de 1.600 espécies e o número continua crescendo.
Aumenta, igualmente, o número de carros atolados pelos 600 pesquisadores que trabalham nos mais de 50 projetos que compõem o Biota. "Quando você entra em estradas menores, isso acontece. No nosso caso, virou rotina", comenta Joly.
Parte do que foi catalogado pelo Biota estará na exposição na forma de 50 painéis. "Ela está estruturada de forma que a pessoa seguirá um caminho semelhante ao que encontraria se entrasse no Estado de São Paulo pelo Litoral Norte", explica.
Organizada em cinco módulos, a exposição começa pela módulo de Águas Costeiras, que mostra os diferentes ecossistemas da região com fotos do ambiente e de espécies ali encontradas. Depois passa pelos módulos de Mata Atlântica, Centros Urbanos, Água Doce e Cerrados, com dez painéis cada um.
A partir de agosto, a exposição irá para outras regiões da cidade de São Paulo e unidades do Sesc em Itaquera e Interlagos, além de outras cidades do Estado, como Ribeirão Preto e Campinas.
OESP, 29/05/2004, p. A22
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