O Globo, Ciência, p. 37
10 de Ago de 2012
Novo sistema estima emissões da Amazônia
Serviço deve contribuir para que bioma diminua seu impacto na quantidade de CO2 liberada pelo país
Nos 51 anos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o presente foi para a Amazônia. Entra no ar hoje, às 11h, o Inpe-EM, um sistema inédito que estima as emissões provenientes da floresta. O serviço estará disponível online, com atualização anual. A equipe responsável pela iniciativa uniu dados vindos de diversas fontes - do monitoramento por satélite a informações do Censo, passando por mapas de biomassa - para calcular a quantidade de carbono emitida pelo bioma.
Com o Inpe-EM, o instituto espera diminuir ainda mais o papel da Amazônia nas liberação de gases-estufa pelo Brasil. Em 2004, 55% das emissões de CO2 do país vinham da floresta. O desmatamento, à época, foi de 27 mil quilômetros quadrados. Já em 2011, o bioma representou cerca de 20% do lançamento de carbono do país. A perda de área verde da região no ano passado foi de 6,4 mil quilômetros quadrados.
- Ao mesmo tempo que houve uma queda expressiva no desmatamento, o Brasil desenvolveu-se industrialmente. Mas, mesmo que outros setores da economia estejam emitindo mais gases-estufa, certamente o país hoje contribui menos para o aquecimento global - assegura Jean Ometto, um dos desenvolvedores do Inpe-EM.
O berço do novo sistema é o Prodes, um programa que gera imagens de alta resolução da Amazônia e, também, áreas de maior desmatamento. A partir daí, entra a análise de estudos geográficos e do Censo, mostrando qual é a finalidade destas queimadas.
- O desmatamento pode ser para pecuária, para agricultura intensiva, ou ainda para a familiar. Cada uma contribuirá com um nível de emissões - explica Ometto. - Sabemos quais desses atores são mais importantes em cada local da floresta.
À distribuição espacial dos desmatadores somam-se os cálculos desenvolvidos especialmente para o novo programa. A proposta seguida pelos pesquisadores para quantificar os gasesestufa liberados na atmosfera não existe em outros países tropicais.
Ometto espera que o projeto seja estendido para outros biomas. Não há, porém, uma previsão de quando isso ocorrerá. As demais áreas verdes do país não têm detecção de desmatamento via satélite - base dos dados do Inpe-EM - como a Amazônia. O primeiro na fila para receber este mapeamento é o Cerrado, mas o empreendimento, prometido para 2010, está atrasado por falta de verbas.
20% do CO2 do Brasil vêm da queima da Amazônia
Projeção do Inpe indica queda desde 2004. Novo sistema oferecerá índices mais precisos das emissões.
O Globo, 10/08/2012, Ciência, p. 37
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