O Globo, Sociedade, p. 30
19 de Dez de 2015
Novo desenho das condições do litoral
Setor privado faz parceria com Ibama para mapear a costa brasileira
RENATO GRANDELLE
renato.grandelle@oglobo.com.br
O governo federal e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) apresentaram ontem o balanço de um acordo de cooperação assinado há dois anos, em que listam os animais em perigo e idealizam programas que podem viabilizar a exploração e produção de petróleo e gás sem provocar impacto no meio ambiente. Dos 12 planos previstos, dez estão concluídos ou em andamento - o trabalho deve terminar em 2018.
Em toda a costa brasileira habitam milhares de espécies ameaçadas pela expansão de atividades econômicas. Órgão responsável por licenciar a exploração do litoral, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) enfrentava dificuldades para mapear os trechos em que a fauna enfrenta situação mais crítica. A solução encontrada foi aliar-se ao setor privado.
As iniciativas já tiradas do papel já custaram R$ 20 milhões. Entre elas estão a primeira fase de um plano de proteção para limpeza da costa, um projeto voltado à educação ambiental e outro destinado à conservação da fauna marinha, abordando espécies como a tartaruga-depente, que pode ser encontrada em todo o litoral e é considerada criticamente em perigo.
Na lista do Ibama e do IBP ainda figura a conclusão de um programa de mapeamento de mais de duas mil ilhas costeiras.
Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o mapeamento atrairá novos investimentos para o litoral do país.
- As informações estratégicas aprimoram a eficiência do sistema de licenciamento ligado à indústria de petróleo, o que dá mais transparência ao trabalho do Ibama - ressalta. - O projeto também proporciona o maior banco de dados já realizado da fauna brasileira. Vamos trabalhar cada vez mais perto das universidades.
Perguntada se a indústria petroleira poderia se aproveitar como bem quisesse das pesquisas, a presidente do Ibama, Marilene Ramos, foi taxativa:
- Não vejo este perigo. Estes trabalhos são publicados e podem ser vistos por consultores independentes - assegura. - Trata-se de um projeto de muito fôlego e planejamento e que exige continuidade.
Para o presidente do IBP, Jorge Camargo, a área ambiental ganhou mais espaço no setor petroleiro nos últimos anos:
- Construímos um ambiente de cooperação entre indústria e governo que é fundamental para nos desenvolvermos de uma maneira sustentável.
O Globo, 19/12/2015, Sociedade, p. 30
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