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Novo coordenador da Funai evita polêmicas

Folha Web - http://www.folhabv.com.br/
Autor: Andrezza Trajano
10 de Ago de 2011

O novo coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai), André Vasconcelos, disse à Folha que entre as prioridades de sua gestão estão a melhoria do atendimento prestado aos índios e investimentos na infraestrutura do órgão.

Vasconcelos, que é jornalista, evitou polêmicas quanto à gestão anterior de Gonçalo Teixeira e a possível demarcação de uma nova terra indígena em Alto Alegre. Afirmou que foi bem recebido na Funai tanto por algumas lideranças, com quem já teve contato, quanto por servidores.

Com um orçamento limitado, o coordenador sabe que terá muito trabalho pela frente. Só para se ter uma ideia, a Funai tem oito veículos para percorrer as 32 terras indígenas, porém somente dois estão funcionando.

O prédio onde funciona a sede da Fundação é tombado. A ideia inicial é alugar um imóvel maior, que possa atender todas as demandas do órgão e posteriormente construir uma sede própria.

Na administração regional, disse que tem orientação da presidência da Funai para que haja continuidade dos trabalhos desenvolvidos pelo seu antecessor e que também dará mais abertura dos trabalhos à sociedade e à imprensa.

Com os indígenas, quer trabalhar projetos de etnodesenvolvimento, respeitando todos os paradigmas étnicos, culturais e religiosos dos povos. Hoje, conforme Vasconcelos, não cabe mais à Funai o papel de órgão assistencialista. Trata-se de apoiar os índios com meios para que possam se autossustentar.

O pontapé inicial já foi dado, segundo ele, com a concretização da demarcação de todas as terras indígenas em Roraima, que somam 44% do território do Estado. "Os índios já têm suas terras reconhecidas pelo Estado brasileiro. Agora, eles devem sugerir como trabalhar nelas e nós vamos apoiá-los", destacou.

Sobre críticas de que teria substituído um antropólogo e servidor de carreira da Funai, disse desconhecê-las. "Gonçalo coordenou a Funai em momentos críticos e com muito êxito, em minha opinião, na questão de demarcação das terras indígenas. Ele é técnico agrícola da Funai, formou-se recentemente em antropologia e deve continuar trabalhando normalmente. O que posso dizer é que fui muito bem recebido", disse.

O fato de ter sido assessor de imprensa do Conselho Indígena de Roraima (CIR), que é a maior organização indígena do Estado, na avaliação dele, não vai impedir que mantenha boas relações com outras organizações rivais ao CIR.

"Estou aqui representando um papel institucional. Não existe distinção no exercício do cargo. Tanto que recebi representantes da Soudiurr [Sociedade dos Índios Unidos de Norte de Roraima] e foi muito bom. Vou trabalhar para todos os índios, inclusive aqueles que não estão mais aldeiados", disse.

POLÊMICA - Em relação à possibilidade de se demarcar uma nova terra indígena em Roraima, o coordenador da Funai disse que não há nada concreto. Vasconcelos explicou que um grupo que se apresenta como índio Macuxi e que vive na comunidade Arapuá, em Alto Alegre, fora de reserva, reivindica a demarcação da área.

Mas enfatizou que, antes de qualquer coisa, é preciso observar as 18 condicionantes impostas pelo Supremo Tribunal Federal em 2009, durante a validação do processo demarcatório da Raposa Serra do Sol. "Tenho conhecimento de que um grupo reivindica presença indígena imemorial [que ancestrais viviam lá antes de se ter registro] do local. Mas não tenho nada de concreto sobre isso", frisou.

http://www.folhabv.com.br/noticia.php?id=113904

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