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Novas áreas de proteção beneficiam aves na Bahia

OESP, Vida, p. A18
07 de Jul de 2010

Novas áreas de proteção beneficiam aves na Bahia
Boa Nova abriga 396 espécies - 14 delas estão ameaçadas de extinção no mundo, como o gravatazeiro

Observadores de aves do Brasil e do mundo comemoram a criação de Unidades de Conservação no Nordeste do País que protegem diversas espécies raras. Boa Nova, na Bahia, ganhou um Parque Nacional e também um Refúgio da Vida Silvestre.
A região abriga um total de 396 espécies de aves - 14 delas estão globalmente ameaçadas de extinção. O xodó local é o grazatazeiro, motivo da visita de muitos estrangeiros.
"Boa Nova recebe cerca de 80 observadores de aves estrangeiros ao ano", conta Edson Ribeiro Luiz, biólogo da Save Brasil (Sociedade para a Conservação das Aves), organização ambiental filiada à rede Birdlife International. Luiz mora em Boa Nova há cinco anos. "Acredito que a criação das áreas ajudará a evitar desmatamentos e queimadas."
Segundo Pedro Ferreira Develey, diretor de Conservação da Save, por muito tempo Boa Nova era mais conhecida na Inglaterra que no Brasil. A ONG monitora o gravatazeiro desde 2005 e faz trabalhos com a comunidade da região.
"Conseguimos despertar o orgulho dessa população para a riqueza de sua biodiversidade", diz Develey. Ele conta que a área ainda tem retirada de lenha e caça, mas em ritmo muito menor do que o registrado anos atrás.
E a prova de que as coisas estão mudando é que quatro proprietários já demonstraram interesse em transformar sua área em reserva particular.
Proteção. Além das duas Unidades de Conservação em Boa Nova, outros dois parques nacionais foram criados: Serra das Lontras e Alto Cariri. Além disso, o Parque Nacional do Pau-Brasil foi ampliado. No total, o País ganhou 66,5 mil hectares de áreas protegidas.
Na região de Serra das Lontras, entre Una e Arataca (BA), já foram registradas 330 espécies de aves. O lugar é considerado uma IBA (área importante para a conservação de aves). Desse total, 16 espécies estão ameaçadas globalmente de extinção e 13, classificadas como quase ameaçadas.
A região tem tradição no cultivo de cacau em cabruca - as plantações de cacau ficam misturadas às árvores de Mata Atlântica. Porém, com a crise do cacau, os produtores têm sido pressionados a substituir a cultura por outras mais agressivas. / A.B.

A espécie ameaçada

Gravatazeiro (Rhopornis ardesiacus)
Grau de ameaça
O gravatazeiro está em perigo de extinção, segundo a lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação na Natureza.
Localização
A espécie é vista principalmente em Boa Nova (Bahia).
Hábitos
Vive na mata de cipó, onde a Mata Atlântica se mistura à Caatinga. O gravatazeiro sofreu com a redução da mata para dar lugar a pastagens.
Nome
A espécie recebeu esse nome porque se protege no gravatá, bromélia abundante na Caatinga.
Características
Tem uma cor que lembra ardósia (azul-acinzentado). Usa folhagens no solo para procurar alimento e come formigas, gafanhotos, grilos e aranhas.
Estudos
É monitorada desde 2005 pela Save Brasil.

OESP, 07/07/2010, Vida, p. A18

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100707/not_imp577540,0.php

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