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Autor: Júlio Noronha
12 de Mai de 2026
Um novo estudo sobre os povos indígenas que habitam a América do Sul apontou que essa comunidade atual descende de uma população vinda da Mesoamérica - região do México e América Central - há cerca de 1300 anos, na chamada terceira onda de migração. A pesquisa, publicada na última quinta-feira (7/5) na revista científica Nature, contradiz estudos antigos, mostrando uma maior complexidade e diversidade genética entre os povos nativos.
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Tábita Hünemeier, geneticista do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e coordenadora do estudo, explica que os resultados são resultado de um trabalho muito intenso do ponto de vista de colaborações. Os pesquisadores conseguiram sequenciar completamente 128 genomas, que representavam 45 povos de oito países sul-americanos diferentes, Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia,Equador, México, Paraguai e Peru. Esses dados foram então comparados com outras 71 sequências genéticas disponíveis em bancos de dados.
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Os resultados mostraram que as atuais populações indígenas do continente , descendem da terceira onda migratória, indicando também que esses grupos começaram a reduzir o número populacional com o início da colonização europeia. No tronco genético dos povos Tupi, foram encontrados sinais de endocruzamento, - reprodução entre grupos pequenos que compartilham ancestrais em comum - indicando o isolamento dessas populações, que fugiam de locais de considerado "fácil acesso" para evitar epidemias, interferência no sistema de subsistência e até de serem escravizados.
Para as descobertas foi necessário que os pesquisadores encontrassem no DNA dos indígenas sul-americanos trechos antigos de genomas característicos da região da Australásia (atual Oceania e algumas ilhas da Ásia), e dos hominídeos neandertais e denisovanos que habitavam respectivamente a Europa e o continente asiatico. O objetivo era entender os percursos tomados por esses ancestrais em vez dos aspectos funcionais.
Em pesquisas anteriores referentes à origem dos povos indígenas sul-americanos, os marcadores genéticos tinham sido desenhados a partir de populações europeias e africanas, que segundo Hünemeier, não eram adequadas para compreender os povos da América. O estudo pode documentar a permanência prolongada desses grupos em diferentes áreas do planeta, evidenciando uma grande diversidade genética.
*Estagiário sob supervisão de Paulo Floro.
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Estudante de jornalismo no Centro Universitário Iesb, é estagiário do site do Correio Braziliense
https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2026/05/7417835-n…
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