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'NÓS EXISTIMOS'

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: MARILENA FREITAS
18 de Abr de 2003

Campanha contra projetos do governo

As comunidades indígenas junto com os trabalhadores rurais e urbanos lançaram a campanha "Nós Existimos Unidos pela vida e contra a impunidade". A finalidade é cobrar dos governos federal e estadual a demarcação das terras indígenas, valorização ao pequeno agricultor e rigor na apuração dos contratos de servidores "fantasmas", da chamada "lista de gafanhotos".

São contra também a plantação de acácia para a indústria de celulose, a demarcação das terras indígenas em ilhas e o "cabide" de emprego do governo estadual que beneficia mais os políticos que os trabalhadores. Além disso, questionam os incentivos fiscais que beneficiam as grandes indústrias.

A campanha foi lançada oficialmente durante o 3o Fórum Social Mundial, realizado em janeiro na cidade de Porto Alegre (RS). Segundo o coordenador executivo da campanha, André Vasconcelos, a idéia é somar forças para que as classes envolvidas consigam vencer a impunidade.

"A campanha era apenas dos povos indígenas, mas os trabalhadores rurais e urbanos perceberam a necessidade de se fazer uma aliança porque nesse processo eles são tão excluídos quantos os índios", disse, ao lembrar que o homem do campo é usado para consolidar os grandes latifúndios e é deixado à margem, sem incentivos governamentais.

"Os projetos do Estado incentivam os grandes latifúndios com a plantação de acácia, soja e arroz irrigado dentro das terras indígenas. Afirmam que o índio está entregando a Amazônia para os estrangeiros, mas por que o governo investe numa empresa Suíça?", questionou Vasconcelos.

Conforme afirmou, essa campanha pretende conscientizar os roraimenses sobre a importância de resolver com urgência e rigor as pendências que estão sendo reivindicadas. "Se quisermos ter um Estado auto-sustentável, é necessário rediscutirmos os projetos que estão sendo incentivados pelo governo", afirmou.

Vasconcelos disse ainda que os atuais projetos na zona rural não trazem benefícios para os pequenos agricultores, "pelo contrário, os projetos que envolvem a monocultura geram impacto ambiental, prejudicando a vida dos colonos".
A idéia da campanha é chamar o governo a fazer uma reflexão. Os organizadores querem que a atual administração pense em projetos que contemplem grandes latifundiários, índios, pequenos agricultores e os trabalhadores urbanos.

Vasconcelos ressalta que a demarcação das terras indígenas não tem como objetivo engessar o desenvolvimento do Estado. "Os povos indígenas querem participar do desenvolvimento, desde que seja socialmente justo, economicamente sustentável e ecologicamente correto", enfatizou.

ASSINATURA - A campanha terá duração de um ano e os organizadores pretendem colher durante esse período mais de 100 mil assinaturas. Até agora, no Estado, foram colhidas aproximadamente duas mil assinaturas, fora as feitas por internet.
A quantidade de folhas espalhadas no Estado equivale a 45 mil assinaturas, sem contar com as enviadas para outros estados e para a Europa. As Organizações Não-Governamentais (Ongs) da Itália devem trazer cerca de 10 mil assinantes.

"Queremos até o dia 28 deste mês colher dez mil para entregar a primeira remessa ao presidente da República, durante a assembléia dos povos indígenas, em Brasília", complementou.

Entre os parceiros estão a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Diocese de Roraima, Instituto Missões Consolata, Pastorais Urbana e Indigenista. Para assinar a lista basta procurar as comunidades da Diocese, os sindicatos ou acessar o site www.cir.org.br.

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