O Globo, Sociedade, p. 31
14 de Set de 2019
Noruega sinaliza que pode retomar repasses ao Fundo Amazônia
Segundo governadores presentes a reunião na embaixada do país escandinavo, a intenção do maior financiador do mecanismo de proteção à floresta é retomar diálogos com Bolsonaro
DANIEL GULLINO
daniel.gullino@bsb.oglobo.com.br
A Noruega, principal financiadora do Fundo Amazônia, destinado a projetos de proteção da floresta, sinalizou ontem a governadores da região que pode retomar os repasses ao Brasil, interrompidos por discordâncias com apolítica ambiental do governo Bolsonaro.
Segundo governadores da Amazônia Legal, presentes ontem em reunião na embaixada norueguesa, o país escandinavo discutiu ainda, ao lado de Alemanha e Reino Unido, possíveis repasses que seriam feitos diretamente aos estados, sem passar pelo governo federal. -Os países que fomentam o Fundo Amazônia sinalizaram que desejam prosseguir, junto ao governo federal, no intuito de garantir que haja uma liberação desses recursos. Da mesma forma, sinalizaram que estão dispostos a colaborar diretamente com os governos estaduais -afirmou o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). Segundo o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), presidente do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, o Banco da Amazônia poderia gerir doações feitas diretamente para o grupo: - Os três níveis de relacionamento são possíveis. Manter com o governo brasileiro, ter uma relação direta com o consórcio (de estados) e até na individualidade com um estado. No consórcio, nós oferecemos a possibilidade de eles estudarem a criação de um fundo específico.
Ficou definido que um novo encontro ocorrerá no próximo mês. De acordo com Barbalho, ainda está sendo estudada a possibilidade de empresas estrangeiras alugarem áreas particulares na Amazônia para garantira preservação delas e, assim, poderem utilizar créditos de carbono. - Ai deiaé que empresas internacionais que desejem cooperar coma economia do crédito de carbono possam ter a oportunidade de dialogarcompropriedades privadas no Brasil e fazer disso um ativo financeiro e econômico que torne conveniente para as propriedades privadas brasileiras a preservação da floresta. Além disso, o governador do Amazonas,
Wilson Lima (PSC), relatou que a Noruega irá contratar um sistema de monitoramento por satélite de todas as florestas tropicais do a Amazônia, eque essas imagens serão disponibilizadas gratuitamente.
Antes da reunião, o embaixador da Noruega, Nils Martin Gunneng, disse que a intenção era saber o que os governadores queriam, para possibilitar um trabalho em conjunto.
- O que nós queremos hoje é entender mais o que os governadores desejam, o que eles acham sobre a situação e quais soluções eles vão seguir -afirmou.
'SOBERANIA TOTAL'
Questionado sobre a declaração do presidente da França, Emmanuel Macron, de que é preciso discutir a "internacionalização" da Amazônia, os embaixadores da Alemanha, Georg Witschel, e do Reino Unido, Vijay Rangarajan, rejeitaram essa hipótese.
- Claro que a Amazônia é soberania do Brasil. Totalmente. Mas essas coisas do meio ambiente têm importância mundial. Então, o Reino Unido, como sede da COP-26, no próximo ano, vai tratar de diferentes desafios, questões ambientais de todos os países do mundo. E todos têm que enfrentar esses desafios e papéis no crescimento sustentável para todo o povo do mundo -disse Rangarajan. Na tarde de ontem, os governadores se reuniram com o embaixador francês no Brasil, Michel Miraillet. Na saída, disseram que pretendem diminuir a tensão na relação entre a França e o governo brasileiro, prejudicada desde a troca de farpas entre Jair Bolsonaro e Macron.
- O objetivo do consórcio de governadores é fazer esse papel de mediação. A gente percebe que há essa indisposição entre os governos, e a gente entende que essa indisposição não ajuda a resolver o problema que está posto aí -afirmou Wilson Lima.
Helder Barbalho disse que é preciso "construir pontes", enquanto Waldez Góes ressaltou que é necessário "que a poeira baixe".
Bolsonaro já disse que só aceita conversar com Macron se ele recuar na intenção de debater a "internacionalização" da Amazônia e se pedir desculpas por tê-lo chamado de mentiroso. Questionado sobre se esses pontos foram discutidos na reunião, Barbalho disse que não foram tratados "assuntos secundários".
-Isso não foi discutido. Desde o primeiro momento nós colocamos que não estávamos aqui para tratar de assuntos secundários, estamos aqui para tratar sobre Amazônia. A responsabilidade que todos nós temos com a Amazônia deve ser pressuposto de prioridade para que possamos encontrar as soluções para nossa região.
O Globo, 14/09/2019, Sociedade, p. 31
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