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No lugar da tradição está a busca pelo conforto

O Norte-João Pessoa-PB
Autor: Wagner Lima
18 de fev de 2002

Algumas tradições foram sucumbidas devido de catequisação e exploração do índio paraibano

A comunidade indígena Poti-guara está localizada, principalmente, nas 26 aldeias que estão situadas em grande parte da extensão de Baía da Traição, Rio Tinto e Marcação. Algumas delas estão localizadas a cerca de 25km do Centro da Baía da Traição e o acesso só pode ser feito através de carro - até certo trecho - por uma estrada estreita de barro. No restante do percurso, os visitantes têm que seguir a pé.
Quem pensa que vai se deparar com ocas colocadas em posição a formar um círculo, índios nus e um estranhamento no contato com o visitante, se engana. Essas tradições foram sucumbidas devido ao processo de catequisação e exploração do europeu sobre o índio paraibano. Ao invés de ocas, eles preferem construções de alvenaria, no máximo, casebres de madeira com barro socado.
As vestimentas são muito parecidas com as da nossa sociedade urbana, exceto quando são realizados rituais, visitas ou saída das tribos para a realização de um protesto, por exemplo. Nesse caso, eles se valem de todo o artesanato, desde a saia feita de fibra de mandioca, pulseiras de braços feitos com sementes e penas de araras e guinés até as tradicionais e representativas tintas sobrepostas na pele.
Entre as tradições mantidas estão a figura do pajé - que cuida da espiritualidade da tribo -, e trata de manipular plantas medicinais para a fabricação de medicamentos.
Na Aldeia São Francisco, tribo com 830 índios e de onde são escolhidos o cacique geral e o chefe do posto da Fundação Nacional do Índio (Funai), o pajé é representado pela figura da índia Fátima, que tem uma oca, especialmente construída para servir de local para a fabricação dos medicamentos e das peças de artesanato, que são vendidas, em sua maioria, em Natal, capital do Rio Grande do Norte.
O ritual sempre começa com as batidas no bumbo seguidos pelo pedido de caiabá, dinheiro em Tupi, a nossa equipe de reportagem, após uma sessão de fotos. "As batidas é para agradecer a mãe terra", disse.

Lei do respeito

O ensinamento mais bonito que os índios mantém é o respeito ao idoso e à natureza. No primeiro caso, o exemplo disso é a simplicidade da parteira Celina Rita da Conceição, 86, da Aldeia Cumaru. "Meu pai me ensinou a respeitar o maior ao pequeno e ainda estou nessa lei. Acho que os mais jovem continuam a me tratar muito bem", avaliou.
Celina foi responsável por praticamente todos os partos que ocorreram na aldeia. Nas contas dela foram ao todo 75 crianças recebidas pelos seus braços ao nascer, mas há quem diga que o número de partos realizados por ela é bem maior.
A sabedoria e o conhecimento é tanto que os próprios médicos da Funasa se interessaram em saber que tipos de procedimentos ela tomava no decorrer do parte. " Mesmo sem eu saber de nada eles me encheram de perguntas", disse.

País tem 550 mil índios

Em todo o Brasil existem cerca de 550 mil índios, distribuídos em 220 povos, com uma variedade linguística estimada em 180. Os três troncos linguísticos são o Tupi, do qual fazem parte os índios Tabajaras, Tupiniquins, Guaranis e Potiguaras; o Macro-Gê, formado pelos Caiapós, Xavantes e Cariris e o Aroak, pelos Terenas.
Na Paraíba, os povos mais característicos eram os Tabajaras, Potiguaras e Tapuiu. Na época da colonização, a estimativa é de que existiam cerca de 100 mil índios entre o Estado da Paraíba até o norte do Ceará. Apenas na Baía da Traição, onde há a maior concentração de índios que se intitulam como tal, existem cerca de 14 mil potiguaras.

A dança do Toré

Uma das mais bonitas tradições dos índios, o Toré, dança que pode mudar de acordo com o propósito, seja ele, celebração ou protesto é um outro elemento cultural do povo Potiguara.
A dança existe em várias comunidades indígenas, especialmente, no Nordeste, onde, segundo caboclinho Potiguara, há uma certa semelhança, com exceção da Paraíba. "Em todo o Nordeste existe o Toré, mas é o mesmo em todos os estados.
O nosso Toré é o único diferente dos outros", ressaltou. Outro elemento cultural, e primordial, para cultura dos potiguara, é o resgate da língua, ressaltado pelo agente de saúde e estudante, Roberto Potiguara, como um reencontro com a tradição. "Com esse resgate do Tupi que estamos fazendo, vamos tentar dominar o que foi nosso, a principal linguagem dos potiguara. Daqui a uns quatro anos a grande maioria dos índios vai se comunicar através do Tupi", aposta.

Participação na política

* Política Brasileira
87 vereadores Potiguaras
06 vice-prefeito

* Vereadores na Paraíba
8 vereadores ao todo
5 na Baía da Traição e 3 em Marcação

* Na Baía da Traição
9 vereadores, 5 são índios

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