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No Brasil e no mundo, atos defendem Amazônia

O Globo, Sociedade, p. 36
24 de ago de 2019

No Brasil e no mundo, atos defendem Amazônia
No Rio, em São Paulo e Brasília, manifestantes criticaram a atual política ambiental de Jair Bolsonaro; nas embaixadas brasileiras em Londres, Paris, Quito e em outras capitais, ativistas pediram o fim das queimadas e do desmatamento da floresta

ALEXANDRE CASSIANO

Na Cinelândia. Com chuva e frio, manifestantes foram às ruas do Centro para pedir o fim das queimadas na Amazônia
Em diversas capitais do Brasil, manifestantes se reuniram ontem para protestar contra os recordes nos números de queimadas e desmatamento na Amazônia. Ativistas também criticaram a postura do presidente Jair Bolsonaro frente à agenda ambiental. O presidente vem questionando dados oficiais sobre desmatamento e, nesta semana, atribuiu os incêndios criminosos na Amazônia à atividade de ONGs. Segundo o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nos primeiros oito meses de 2019, o Brasil registrou um aumento de 83% no número de queimadas em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No Rio de Janeiro, o ato começou na Cinelândia, no Centro, onde os manifestantes se reuniram nas escadarias da Câmara dos Vereadores e seguiram em direção aos Arcos da Lapa com cartazes com dizeres como "Tirem as mãos da Amazônia" e "Apocalipse não". Alguns presentes destacaram a preocupação de líderes internacionais com as queimadas na região, como o presidente francês, Emmanuel Macron.

- Vim aqui colocar pressão contra esses incêndios absurdos na Amazônia. Acho que o mundo percebeu o que está acontecendo aqui, como esse governo atual está prejudicando o meio ambiente -, diz Gabriel Estrela, de 25 anos. O protesto acabou por voltadas 20h40, após o pronunciamento do presidente na TV, quando muitos manifestantes vaiaram os bares que transmitiam o comunicado de Bolsonaro.

Em São Paulo, o ato fechou os dois sentidos da avenida Paulista, na região central, no início da noite. Cerca de 3 mil pessoas se concentraram nas imediações do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Sob gritos de "Bolsonaro sai, Amazônia fica", grupos carregavam cartazes pedindo o fim das queimadas, além da saída Bolsonaro da presidência e de Ricardo Salles do governo. Em Brasília, os manifestantes ocuparam a Esplanada dos Ministérios e depois caminharam em direção ao Ministério do Meio Ambiente. Funcionários da instituição foram liberados mais cedo por conta do ato. Em Goiânia, policiais jogaram spray de pimenta em estudantes que ultrapassaram o limite estabelecido por uma grade em frente à sede do governo estadual.

DE PARIS A MUMBAI
Pelo mundo, Índia, Inglaterra, Colômbia, México, Peru, Equador, Argentina, Estados Unidos, Itália, Espanha, França, Holanda e Alemanha também registraram protestos em prol da Amazônia. Em Londres, em um protesto convocado pelo Extinction Rebellion, manifestantes cercaram a embaixada brasileira, que há pouco mais de uma semana foi alvo de tinta vermelha em outro ato do grupo. Lideranças indígenas Huni Kuin Kaxinawá fizeram discursos, cantos e orações. Outras representações diplomáticas brasileiras ao redor do mundo também foram alvo de protesto. Em Mumbai, na Índia, manifestantes usaram máscaras verdes com os dizeres "Ajudem a salvara Terra ". Em Amsterdã, na Holanda, muitos deitaram no chão e pediram a salvação da floresta. Moradores de Madri e Barcelona, na Espanha, também foram às ruas pedir o fim das queimadas e do desmatamento na região amazônica. Em Paris, afrente da embaixada também foi ocupada.

O Globo, 24/08/2019, Sociedade, p. 36

https://oglobo.globo.com/sociedade/embaixada-brasileira-em-londres-alvo…

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