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Nível de água da Cantareira volta à situação anterior ao volume morto

G1 Jornal Hoje - g1.globo.com/jornal-hoje/noticia
20 de set de 2014

Nível de água da Cantareira volta à situação anterior ao volume morto
Metade da água retirada da represa Jaguari-Jacareí desde maio já secou.
O abastecimento da maior cidade do Brasil vai depender da chuva.

O Sistema Cantareira, que abastece mais de oito milhões de pessoas na Grande São Paulo, atingiu hoje o nível que tinha em maio quando começou a usar o volume morto. Esse volume é a reserva técnica usada em casos de emergência. O nível de hoje chegou a 8,2% da capacidade.
A represa mais importante do sistema, que abastece metade da população de São Paulo, foi reduzida a um córrego. O reservatório Jaguari-Jacareí está seco, desaparecendo.
A represa tinha 20 metros de profundidade, mas a água começou a recuar há dois anos e o que sobrou é um grande campo. Para voltar a ver a água é preciso andar alguns quilômetros.

Na pousada o atrativo era a vista para a represa, mas com esse cenário de seca, faz três meses que os turistas não aparecem. Doze funcionários foram demitidos. "Nós estamos esperando até fevereiro, época de férias, para ver se melhora. Se não melhorar, vamos fechar as portas", diz Marcos Ribeiro Vasconcelos, empresário.
Em maio, quando a companhia de saneamento básico de São Paulo passou a retirar água do volume morto da represa Jaguari-Jacareí a situação já era crítica. Agora, metade dessa água já acabou. Esta semana a Sabesp começou as obras para captar outro trecho do volume morto desse reservatório.
O Sistema Cantareira tem cinco represas, a Jaguari-Jacareí é a maior. Através de um túnel, ela despeja água na represa Cacheira, que por sua vez abastece o reservatório de Atibainha, que também está quase vazio. Mesmo assim, a Sabesp já está de olho no volume morto dessa outra represa.
De Atibainha, a água segue para o reservatório Paiva Castro e depois é bombeada para Águas Claras, que fica no topo da Serra da Cantareira. Lá ela é tratada e distribuída para mais da metade da população da Grande São Paulo.
A Sabesp aguarda apenas a autorização do Departamento de Água e Energia Elétrica do estado para instalar as bombas de sucção em Atibainha. O problema é que o volume morto desse reservatório é muito menor que o da represa Jaguari-Jacarei, que há quatro meses fornece água para São Paulo.
Daqui para frente, o abastecimento da maior cidade do Brasil vai depender da chuva. Especialistas em recursos hídricos acreditam que mesmo que a chuva volte ao normal, vamos precisar de dois anos pra recuperar a metade da água que tinha aqui.
"Se não chover na média, não só nós vamos ter de tirar menos água, como já gastamos aquilo que não deveria ter sido usado, que é o volume morto. Então, numa hipótese de chover menos que a média, a gente tem uma situação de altíssima gravidade, porque vai ter muita água para repor", explica Marussia Whately, coordenadora do Programa Mananciais do Instituto Socioambiental.
A ANA - Agência Nacional de Águas - deixou o grupo técnico que acompanha a situação do Sistema Cantareira. A ANA disse que o governo de São Paulo fez um acordo para reduzir o volume de água retirado das represas, a partir de outubro, e depois negou que tenha feito esse acordo.
A Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo disse que lamenta a atitude da Agência Nacional de Águas e espera que a ANA reveja a decisão e volte a fazer parte do grupo de trabalho.

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/09/nivel-de-agua-da-cantar…

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