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Nem multa da água faz São Paulo atingir meta

OESP, Metrópole,p. A16
25 de Mai de 2015

Nem multa da água faz São Paulo atingir meta
Previsão da Sabesp era de economizar 7,3 mil l/s mas, quatro meses após cobrança, queda do consumo chega a 6,2 mil l/s

Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Após quatro meses de vigência, a multa da água lançada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) teve até agora um impacto sobre a redução "espontânea" do consumo na Grande São Paulo 44% menor do que a meta anunciada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB).
Em dezembro, quando relançou a proposta da sobretaxa de até 50% na conta, o governador disse que o objetivo da medida era economizar mais 2,5 mil litros por segundo na região metropolitana. Naquele mês, a economia feita pela população atingiu 4,8 mil l/s, de acordo com balanço da Sabesp.
A multa entrou em vigor no dia 8 de janeiro, após a aprovação da agência reguladora do setor e em meio a críticas de entidades de defesa do consumidor. Passados quatro meses, a economia de água em abril subiu 1,4 mil l/s, chegando a 6,2 mil l/s, ou seja, ainda 1,1 mil l/s abaixo da meta.
Essa diferença seria suficiente para atender cerca de 300 mil pessoas em condições normais de abastecimento, ou 400 mil com o racionamento em curso, o equivalente à população de Carapicuíba, cidade da Grande São Paulo que ainda depende do Cantareira, o manancial em situação mais crítica.
Efeito desejado. A Sabesp afirma que a sobretaxa "está surtindo o efeito desejado" porque 82% dos clientes reduziram o consumo em abril, e diz que a meta de economia com a medida "tem como ser atingida e até ultrapassada".
"Existe potencial para ampliar ainda mais essa economia, uma vez que, considerando os números do mês passado, 11% da população pagou tarifa de contingência (sobretaxa) e outros 10% reduziram o gasto de água, porém não o suficiente para ter direito ao bônus. Essa parcela tem condições de consumir menos água", diz a companhia.
Segundo a Sabesp, apenas 2% dos 450 mil clientes multados em abril conseguiram reverter a sanção justificando o aumento do consumo. Somente no primeiro trimestre deste ano, a companhia arrecadou R$ 79,3 milhões com a sobretaxa, o que ajudou a amenizar a queda de 18% na receita no período.
O valor equivale a 37,5% do que a empresa deixou de receber entre janeiro e março com o desconto na conta por meio do programa de bônus: R$ 211,2 milhões. Na última terça-feira, o diretor econômico-financeiro da estatal, Rui Affonso, disse que não há "nenhuma perspectiva de reduzir ou eliminar" o bônus ou a sobretaxa.
A deliberação da Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp), que autorizou a multa em janeiro, determina que o valor arrecadado pela Sabesp com a medida deve ser aplicado em ações de enfrentamento da crise hídrica.
Teto. Na região do Cantareira, os dados mostram que a redução dita espontânea parece ter atingido o teto. Em abril, a economia ficou estável pelo terceiro mês, em 3,5 mil l/s, indicando que para reduzir ainda mais a retirada de água do manancial durante os meses de inverno, como pretende a Sabesp, será preciso intensificar outras ações, como o uso de outros sistemas e o racionamento com a redução da pressão e do fechamento manual de válvulas nas ruas.

Atuação por lavar calçada ainda não saiu do papel

Calçadas. Mais de um mês após ter sido sancionada pelo prefeito Fernando Haddad (PT), a multa por desperdício de água da Sabesp continua em "banho-maria". O petista quer que a medida seja incluída no plano de contingência da crise hídrica, em elaboração pelo governo Alckmin. O prazo para regulamentação termina em 18 de junho.
A lei prevê multa de R$ 250 para quem for flagrado lavando a calçada com água da Sabesp. No primeiro flagrante, a legislação aprovada em março pela Câmara Municipal estabelece advertência por escrito. O texto diz ainda que a fiscalização e autuação, além da cobrança e a destinação dos recursos das multas, serão definidas em comum acordo entre Prefeitura e Sabesp.
Até agora, porém, os lados não discutiram a medida. A Sabesp informou que "é favorável a medidas das administrações municipais para incentivar a redução de consumo de água". A companhia, contudo, entende que "cabe à Prefeitura promover sua regulamentação e determinar o prazo para início da vigência".
Haddad argumenta que a Prefeitura não tem estrutura para fiscalizar e quer que a multa seja aplicada junto com a conta de água. Ele pretende usar a base de dados da Sabesp para mapear onde estão os "gastões".

OESP, 25/05/2015, Metrópole,p. A16

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