O Globo, Especial, p. 7
12 de Jun de 2012
Necessidade de mudar padrões atuais de consumo é consenso em fórum
Cláudia Amorim
claudia.amorim@oglobo.com.br
Cristina Tardáguila
cris.tardaguila@oglobo.com.br
Um alerta para a necessidade de mudanças nos padrões de comportamento marcou o primeiro dia do evento TEDx-Rio+20, no Forte de Copacabana.
O recado de especialistas e militantes da causa ambiental pode ser resumido pelas expressões "consumo consciente" e "desenvolvimento sustentável".
Em sua apresentação, a ex-ministra Marina Silva conclamou os participantes a empurrar os líderes que estão se omitindo em salvar o planeta.
- O desenvolvimento sustentável ainda não existe. Mas podemos fazer uma escolha por ele - disse a ex-senadora.
Marina citou o filósofo francês Jean-Paul Sartre, pregando que somos resultado do que fazemos do nosso passado, seja ele qual for, para concluir que é, sim, possível fazer coisas boas para o futuro. A ex-ministra falou da importância dos "mantenedores de utopia", enumerando o ambientalista Chico Mendes, os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique e o sociólogo Florestan Fernandes. Marina enfatizou que é necessária uma mudança de postura.
- Somos os exterminadores do futuro. Estamos sofrendo do mal do excesso, estamos consumindo o planeta, à beira de aumentar em dois graus a temperatura e comprometer a vida na Terra. Precisamos nos reencontrar. O desenvolvimento sustentável não é uma maneira de fazer, mas de ser - afirmou.
Para ela, a solução é o que chama de "militante autoral", uma tomada de posição, ativa, de cada um, sem esperar lideranças de governos, partidos, corporações ou entidades.
O fundador do Instituto Akatu, Helio Matar, também reforçou a necessidade de mudança nos padrões de consumo.
Entre os palestrantes, também se apresentou no primeiro dia do TEDxRio+20 o artista plástico Vik Muniz, que vai compor uma de suas famosas imagens, desta vez retratando a paisagem carioca diante do Cristo Redentor, a partir do lixo reciclável gerado pelo evento.
Uma das inovações mostradas cativou a plateia. A nigeriana Jessica Matthews, com formação em economia e psicologia social, apresentou um invento que criou com amigos, estudantes de Harvard: uma bola que acumula energia quando chutada. A energia cinética captada pela bola pode, depois de uma partida, carregar celulares, ligar luminárias ou colocar um ventilador para funcionar. Um jogo de 30 minutos gera energia suficiente para manter uma lâmpada acesa por três horas. Jessica fez questão de dizer que, depois de ter a ideia rejeitada por um engenheiro, achou em ferramentas como Google e Wikipédia as informações necessárias para fazer a bola.
Além do futebol, o mar também foi tema de palestra. O neto do oceanógrafo francês Jacques Cousteau, o cineasta Fabien, afirmou em sua apresentação que os oceanos não estão recebendo atenção. Ele acredita que o mais importante em cúpulas como a Rio+20 é que as comunidades se mobilizem:
- Quando nossos líderes se reúnem para tomar grandes decisões, como acontece agora, temos que olhar para as comunidades, fazer com que elas repensem suas decisões diárias.
Para outro palestrante, o engenheiro venezuelano José Luiz Cordeiro, da Singularity University, criada com o apoio da Nasa e do Google no Vale do Silício, na Califórnia, há três anos, o futuro é a bioenergia. Também fizeram parte das apresentações os integrantes do bloco Sargento Pimenta, que vai tocar em Londres nas Olimpíadas.
O Globo, 12/06/2012, Especial, p. 7
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