OESP, Economia, p. B4
22 de Dez de 2007
NE põe em operação 14 térmicas emergenciais
Atraso no início das chuvas na região reduz fortemente o nível dos reservatórios em Estados como Pernambuco e Ceará
Renée Pereira
As polêmicas térmicas emergenciais, usadas como seguro-apagão entre 2001 e 2002, estão de volta. Desde o dia 19, 14 unidades localizadas no Piauí, Ceará e Pernambuco estão operando por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O órgão atende a uma medida aprovada na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), ocorrida no início do mês para discutir a situação do Nordeste.
O objetivo é recuperar os níveis de reservatório da região, que estão bastante reduzidos. O lago da usina de Sobradinho, a principal hidrelétrica da região, estava com 14,06% da capacidade na quinta-feira. Na semana passada, o nível de água da usina caiu para 12,55%. Na média, os reservatórios da região estão com capacidade de 26,5% do armazenamento total.
Para conter o esvaziamento, o ONS determinou a entrada em operação das usinas remanescentes do Programa Emergencial de Energia Elétrica do início da década. Todas essas unidades estão contratadas em leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para começar a operar a partir do próximo ano ou de 2009. Mas, por causa da urgência, anteciparam a entrada em funcionamento.
As usinas, movidas a óleo diesel e óleo combustível, vão continuar operando até o regime de chuvas se firmar na região. Segundo o ONS, o que houve foi um atraso no início do período chuvoso, que deteriorou o nível dos reservatórios. Apesar disso, "a probabilidade de o Nordeste ter uma situação de profunda crise climática é muito pequena".
Além das usinas emergenciais, outras térmicas movidas a óleo combustível estão em operação. O mesmo ocorre com unidades da Petrobrás movidas a gás natural. Segundo o ONS, a estatal está gerando 2.200 MW médios de energia no sistema nacional, conforme prevê o Termo de Compromisso firmado com a Aneel.
O atraso na estação chuvosa e a imprevisibilidade das condições climáticas tornaram o atual "período molhado (de chuvas)" num dos mais delicados para o ONS desde a sua criação, há cerca de dez anos.
DISPARADA
Isso fica evidente até nos preços observados no mercado livre de energia, em que o megawatt-hora (MWh) está cotado a quase R$ 200, bem acima do observado no leilão da hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, realizado no início do mês, que ficou em R$ 78,87 por MWh.
No fim do ano passado, o MWh no mercado atacadista no Sudeste estava cotado em R$ 36,73 e em apenas R$ 18,33 em 2005, o que ilustra a deterioração das expectativas dos agentes do setor quanto à disponibilidade de energia.
O mercado livre funciona como um "antecipador" das disponibilidades de energia elétrica no horizonte de dois anos. Mas o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, garante que a situação está sob controle.
Na sua opinião, o governo tem várias opções para evitar um eventual racionamento em 2008, como chegou a ser aventado pelo diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, que vê grandes riscos de falta de energia para o ano que vem.
OESP, 22/12/2007, Economia, p. B4
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