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Natura inicia produção em janeiro

Valor Econômico, Empresas, p. B1
03 de Dez de 2013

Natura inicia produção em janeiro

Por Bettina Barros
De São Paulo

A Natura começará a operar em janeiro sua primeira fábrica na Amazônia. Chamada de "ecoparque", dadas as características sociombientais do projeto, a planta está sediada no município paraense de Benevides, próximo à Belém, e será responsável por praticamente toda a produção de sabonetes e óleos da companhia brasileira de cosméticos, hoje terceirizada no Sudeste. A nova unidade recebeu investimentos de R$ 200 milhões.
"Será o Vale do Silício da Biodiversidade Brasileira", disse Josie Romero, vice -presidente de Operações e Logística da Natura, durante seminário sobre investimentos no Pará realizado pelo Valor, na Fiesp, em São Paulo.
Até 2016, a unidade no Pará produzirá 70 mil toneladas de 'noodles' (a massa do sabonete) por ano e 12 mil toneladas por mês de óleos e manteiga, que serão distribuídas ao país. Além de se aproximar de seus principais fornecedores - os de óleo de palma e frutos e sementes da floresta -, a fábrica poderá servir no futuro de porta de entrada para a chegada da Natura ao Hemisfério Norte. Hoje, a companhia tem vendas expressivas nos países latino-americanos, mas ainda inexistentes nos EUA e incipientes na Europa (basicamente na França). "Não é algo que descartamos", afirmou Josie.
A ideia de uma unidade produtiva na Amazônia foi concebida em 2009 e saiu do papel um ano depois com a compra do terreno de 1,8 milhão de metros quadrados em Benevides. A propriedade era inicialmente voltada à pecuária e ao açaí. Apenas 5% da área está sendo utilizada.
De acordo com a executiva, a diferença dessa fábrica está não somente no modelo de produção como na sinergia industrial que a Natura pretende imprimir no local. Do ponto de vista operacional, a fábrica foi pensada sob preceitos de sustentabilidade como a reutilização total da água da chuva e o geotermia para resfriamento da fábrica, assim como a criação de jardins filtrantes - onde as bactérias das raízes das plantas filtram os efluentes gerados no processo industrial, sem a necessidade de químicos. Toda a locomoção dentro da área será feita com carros elétricos e bicicletas. A maior novidade, diz Josie, está na intenção de transformar a propriedade em uma espécie de "cluster" de empresas sustentáveis, cujas operações tenham sinergia entre si. Uma empresa de alimentos que entregue resíduos orgânicos - como cascas de frutas ou sementes - para o aproveitamento em outra é um exemplo dessa sinergia industrial.
A inauguração contribuirá também para a triplicação da utilização de matérias-primas da floresta amazônica pela companhia, tanto em volume quanto em diversidade, e para o incremento do relacionamento comercial com até 15 mil famílias da região, contras as três mil famílias de hoje.

Valor Econômico, 03/12/2013, Empresas, p. B1

http://www.valor.com.br/empresas/3360016/natura-inicia-producao-em-jane…

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