VOLTAR

Não tenho planos para o Mangabeira

OESP, Nacional, p. A4
Autor: MINC, Carlos
16 de Mai de 2008

'Não tenho planos para o Mangabeira'
Minc explicou que mudou de idéia com relação ao ministério depois de ter recebido 'carta verde' para atuar na área

Entrevista: Carlos Minc ministro indicado para o Meio Ambiente

Andrei Netto

Trinta e seis horas se passaram entre o contato do Estado com o então secretário de Ambiente do Rio, Carlos Minc, e o novo ministro do Meio Ambiente, o mesmo Minc. Na primeira entrevista, na quarta-feira, ele descartava a hipótese de assumir o posto aberto pela saída de Marina Silva. Ontem, Minc voltou a falar, dessa vez na condição de ministro "em tese". Confirmou que aceitou o convite após as pressões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador do Rio, Sérgio Cabral. E justificou a mudança de idéia alegando ter "carta verde" para desenvolver seus projetos à frente do ministério.

Por que a mudança de opinião?

No dia de ontem, as coisas começaram a mudar com os vários telefonemas do Sérgio Cabral. Ele dizia que era uma questão do Lula, uma questão do País, que eu não poderia negar. Criou-se uma circunstância na qual a minha recusa seria encarada como uma covardia política. Somem-se a isso as garantias que o Lula me deu. Essas foram as condições de o não virar sim.

Que garantias o senhor recebeu?

As garantias iniciais foram a liberdade de montar a equipe, aprofundar a política da Marina Silva, fazer avançar a lei nacional sobre licenciamento e atividades poluidoras, também trazer de volta a voz forte sobre o saneamento ambiental. Em suma, ele me colocou em uma situação na qual negar seria praticamente desconfiar de tudo o que ele estava falando.

O senhor cogita o nome do ex-governador Jorge Viana para a coordenação-executiva do PAS. Qual seria a relação entre Viana e o ministro Roberto Mangabeira Unger, nos seus planos?

Veja, eu não tenho planos para o Mangabeira porque quem tem planos para o Mangabeira é o presidente da República. Entendo que o presidente pensou em alguém mais fora da disputa por verbas. O ministério do Mangabeira não disputa verbas com Cidades, Integração, Agricultura. É mais de formulação. Eu penso em uma pessoa, independente de quem seja o ministro formulador, que seja o executor. Seria uma pessoa que conhece a Amazônia. No caso, Jorge Viana conhece a Amazônia, conhece os prefeitos, os governadores, tem uma política muito proativa de desenvolvimento sustentável, com a qual me identifico.

O desmatamento aumentou. Como o senhor pretende controlar essa progressão? E, segundo ponto, ontem o senhor disse que o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, só não planta soja nos Andes porque não pode.

É ilusão achar que vamos botar um guarda atrás de cada potencial piromaníaco da Amazônia. A solução é mais proteção, mais recursos, mais alternativas científicas e mais planos integrados, coordenados por forças vivas da região para não criar antagonismos insuperáveis e intransponíveis.

O sr. não falou de Blairo Maggi.

(Levantando e sorrindo) Já está de bom tamanho.

OESP, 16/05/2008, Nacional, p. A4

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.