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Não tem remédio?

Ciranda Internacional de Informação Independente - http://www.ciranda.net/spip/article2728.html
Autor: Graça Cremon
31 de Jan de 2009

Povos indígenas presentes no Fórum exigem solução para falta de atendimento em suas comunidades e alertam para riscos que estão correndo com descaso governamental.

Estamos no território do Fórum Social Mundial em Belém, no Pará, também conhecido como Fórum da Amazônia em busca de um outro mundo possível. Como em todos os Fóruns, movimentos de descontentes e excluídos se fazem ouvir: passeatas contra a criminalização do aborto e direitos das mulheres e GLBTs, dos excluídos do Fórum, pela descriminalização da maconha, estão todos em movimento e a plenos pulmões tentando dar visibilidade às suas lutas.

Hoje, seis etnias (Matis, Kurubo, Maiuruna, Marubo, Kurina, Kanamari) que vivem no Vale do Javari, divisa do Brasil, Colômbia e Peru entregaram uma Moção de Apoio ao Parlamento Europeu que estava aqui representado por Vitorio Agnoletti. Ocuparam o Centro de Imprensa do FSM para mostrar ao mundo o abandono que estão vivendo e a falta de interesse do governo brasileiro em resolver a questão. O problema deles é de saúde! Desde a década de 70 são acometidos pela hepatite A, B e D (Delta), além da malária.

Segundo o jovem indígena Tumi Uisu - Paulo Matis (17), a doença ataca a todos da aldeia, sem distinção de idade e gênero. "Primeiro a barriga cresce muito, parecendo mulher grávida, começa a vomitar sangue e depois morre. Isso tudo demora três meses. Meus parentes estão morrendo enquanto falo com a senhora!". Ele está no primeiro ano do ensino médio na cidade de Atalaia do Norte. Outra necessidade que as crianças e jovens enfrentam é a falta de estrutura para frequentarem a escola. Precisam de uma casa na cidade, ajuda para alimentar-se, material escolar.

Já tentaram de todas as formas sensibilizar o governo brasileiro. A Funasa, a Funai, as coordenadorias especiais, ninguém conseguiu atender a demanda desses povos. Eles precisam de vacinas, geladeiras para conservá-las, agentes de saúdes capacitados para evitar um mal maior. Se nada for feito agora, especialistas dizem que em 20 anos não sobrará ninguém ali para contar a história.

O representante do Parlamento Europeu aponta dois caminhos à serem percorridos imediatamente: trazer uma delegação européia para falar com o governo brasileiro e, uma segunda, promover um encontro entre representantes da União Européia, América Latina e do Brasil para resolver essa situação e outras dos povos das fronteiras.

São eles os verdadeiros guardiões das nossas fronteiras e florestas. Pra essa doença que é de não-índio a mata não tem remédio.

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