OESP, Aliás, p. J7
Autor: AMÂNCIO, Devanir
17 de Fev de 2008
'Não podemos compreender a violenta destruição da 'biblioteca indígena''
Carta aberta ao secretário de Coord. das Subprefeituras, Andrea Matarazzo
Devanir Amâncio
Pres. da ONG Educa São Paulo
Nos últimos quatro anos fizemos uma árdua campanha pela formação de embriões de bibliotecas comunitárias nas periferias da grande São Paulo. Não podemos compreender a violenta destruição da "biblioteca indígena", em fase de organização na Praça Monteiro Lobato, que, até o ano passado, foi um depósito de lixo conhecido como " lixão da Prefeitura". Não podemos tolerar de modo algum o arrombamento feito pela Subprefeitura Sé, cumprindo ordem do gabinete das subprefeituras, que sem nenhuma tentativa de acordo, mandou caminhões retirarem os livros como se fossem entulho e levá-los para um lugar não declarado. Se é assim que setores da administração pública de São Paulo imaginam revitalizar o Centro, jamais serão capazes de realizar trabalhos criativos destinados à inclusão sociocultural de modestos trabalhadores ignorados pelo poder público. Vale lembrar que, em nome da revitalização, querem desapropriar o centenário Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, fundado por Mário de Andrade em 1923 e que oferece curso superior de música desde 1939. O mais preocupante é querer desapropriá-lo para a construção da Praça das Artes. Porque não vinculá-lo a este projeto de mais de R$ 60 milhões? Se a Praça das Artes é a obra mais importante da Prefeitura na revitalização no Centro, por que o projeto não foi apresentado e debatido com a comunidade cultural e cidadãos interessados? Não gostaríamos de pensar que acontecimentos como esses representem o sistema neocapitalista insensível e belicoso. O vandalismo ocorrido fere a história dos que pensaram em bibliotecas comunitárias e alfabetização de minorias analfabetas. O tempo dirá quem estava com a razão e que trabalhou por uma revitalização cultural do centro de São Paulo.
OESP, 17/02/2008, Aliás, p. J7
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