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Não pode haver preconceito na exploração das fontes de energia

O Globo, Opinião, p. 2
18 de out de 2018

Não pode haver preconceito na exploração das fontes de energia
Inexiste eletricidade de esquerda (gerada por sol e vento) e de direita (por termonucleares)

Em uma eleição em que o debate de propostas objetivas ocupa até agora pouco espaço, temas relevantes e complexos como energia terminam ficando ao largo. Ou sendo tratados com uma dosagem excessiva de emoção, típica de embates políticos e ideológicos, mas inadequada quando se trata de decidir investimentos bilionários em algo vital como a geração de energia elétrica.

Entre tantos choques de visões opostas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), o que se verifica sobre a questão energética é exemplar: enquanto Bolsonaro acena com a volta de hidrelétricas com reservatórios na Amazônia, em substituição a usinas a fio d'água - que gera energia apenas com o fluxo do rio -, Haddad enfatiza que a produção da energia nova, com ele no Planalto, será com base em fontes eólica, solar e da biomassa.

Com o PT de volta ao Planalto, os subsídios a estas fontes serão mantidos. Elas têm, ainda, baixa participação na matriz energética: eólica (7,9%), gás natural (7,5%), energia solar (0,8%). Não se discute a necessidade de se investir em fontes alternativas, de baixa emissão de carbono. Mas um dos pontos centrais é haver garantia firme de fornecimento crescente de energia, para sustentar uma das dez maiores economias do mundo que se pretende que volte a crescer de maneira estável e contínua. Sem risco de apagões. O país já sabe os estragos que um sistema de geração e distribuição não confiável provoca em todos os setores.

Nesta perspectiva, sem que se desconsiderem estudos técnicos, não é razoável uma política energética que congele a exploração de rios na Amazônia e/ou impeça usinas com reservatórios na região. Podem-se fazer projetos sensatos, sem promover desastres ecológicos como a hidrelétrica de Balbina, próximo a Manaus, que inundou uma área de mais de 2.200 quilômetros quadrados de floresta, para poder produzir 250 megawatts. Muito pouco para um reservatório tão extenso. Não por acaso, Balbina foi construída na ditadura militar, com a imprensa censurada.

Mas esta foi uma aberração. Defende-se é que haja critérios racionais e transparentes que permitam explorar o potencial hidrelétrico amazônico. A falta de racionalidade também impede que se prossiga o programa de termelétricas nucleares, cada vez mais seguras. Enquanto isso, o canteiro de obras de Angra 3, parado, consome fortunas.

Deve-se acabar com a ideia de fontes energéticas de esquerda (eólica, solar etc.) e de direita (hidrelétricas de grande porte, termonucleares).

O Globo, 18/10/2018, Opinião, p. 2

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