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Na São Francisco, manejo agroecológico

OESP, Agrícola, p. 11
16 de Abr de 2008

Na São Francisco, manejo agroecológico
Usina pioneira no corte de cana crua tenta reciclar ao máximo os insumos produzidos na própria fazenda

Fernanda Yoneya

Em 1986, a Usina São Francisco deu início ao projeto Cana Verde, com o objetivo de produzir com o menor impacto possível. A colheita de cana crua começou em 1988 e, em 1995, a queima da palhada foi abolida. 'A colheita de cana crua produz 20 toneladas de palha/hectare/ano, material que forma um colchão de 20 centímetros de altura e contém metade do adubo de que a cana necessita', diz Balbo Jr. A palhada preserva a estrutura do solo, pois evita a 'inversão' da leiva - a camada arável -, prática que esteriliza a terra, porque expõe camadas profundas do solo ao sol e à chuva. Prova dos benefícios da palhada é que, na região, após 15 anos de manejo agroecológico, o teor de matéria orgânica subiu de 1% para até 4%.

Com o manejo conservacionista, nos últimos três anos, a produtividade da cana orgânica da São Francisco foi de 105 toneladas por hectare, ou 25% maior do que a média do Estado, de 84 toneladas/hectare.

Balbo Jr. diz que adota o manejo biodinâmico, que tem como princípio produzir tudo o que é necessário e eliminar a dependência de insumos externos. 'Não basta colher a cana crua para ser responsável', diz. A rotação de culturas, por exemplo, beneficia o solo, atrai insetos com função ecológica e favorece o surgimento de microrganismos, que atuam como vacina natural, maturador da planta e até estimulador de enraizamento.

A usina também produz 1 milhão de insetos/dia, para controle biológico. 'Após um tempo, a natureza passa a ajudar, pois há um retorno da biodiversidade. Hoje, o canavial é cheio de insetos, mas não há danos à lavoura.'

Em 21 anos, a usina já plantou mais de 1 milhão de árvores e, hoje, a área de vegetação nativa soma 2 mil hectares, na área total de 20 mil hectares.Assim como os cotonicultores em MT, a São Francisco também não se restringe ao que a lei determina. Além da recolocação de cortadores de cana em outros serviços, como motoristas e técnicos para o trabalho de controle biológico e manejo de plantas espontâneas, há programas educacionais e de capacitação. 'Treinamos funcionários e filhos de funcionários para suprir a falta de mão-de-obra do setor', diz Balbo Jr. A usina tem quadro de 3 mil funcionários e 6.500 dependentes.

Informações: www.institutoares.org.br; www.algodaosocial.com.br

OESP, 16/04/2008, Agrícola, p. 11

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